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Quinta da Saudade : Cazuza parte 1

 Dia 4 de abril as redes sociais ficaram congestionadas de fotos e homenagens feitas por amigos e fãs de Cazuza. Nesta data completaria 63 anos de idade mas infelizmente complicações de saúde causadas pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) causaram sua morte aos 32.

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto (o nome Agenor a pedidos de sua avó paterna), recebeu o apelido Cazuza antes de nascer . Anos mais tarde viria descobrir que seu grande ídolo Cartola tinha além da genialidade ao compor o mesmo nome que o seu com uma pequena diferença: por um erro do cartório o Mestre fora registrado como "Angenor".

Filho de Lucinha e João Araújo (produtor musical) cresceu em contato direto com meio e influenciado por nomes que traziam em suas canções mensagens um tanto melancólicas: como dito anteriormente além de Cartola ouvia Noel Rosa, Maysa, Dalva de Oliveira e Lupcínio Rodrigues. 

Tinha como "laboratório" pela profissão do pai a observação de nomes da MPB como Caetano, Elis, Gal, Gil, Novos Baianos e João Gilberto além de uma grande admiração por Rita Lee, para quem escreveu a letra de "Perto do Fogo".

Mas foi em Londres que o jovem foi picado pelo bichinho do rock'n'roll e conheceu Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones - mas sua rebeldia ao trancar a matrícula do curso de Comunicação fez com que o pai o arrumasse um emprego na Som Livre (que essa semana foi adquirida pela Sony Music) e a partir daí Cazuza entrou de vez para o meio artístico: fez parte do grupo teatral Asdrubal Trouxe o Trombone e mais tarde foi indicado por Leo Jaime para ser vocalista de uma banda de rock : Barão Vermelho.

A banda fez inúmeros sucessos, tenho muita dificuldade em dizer aqui para vocês qual o meu favorito : "Todo Amor que Houver nessa Vida" " Maior Abandonado", " Por que que a gente é assim?"...

Mas um fato que acho muito simbólico e quero contar aqui foi a apresentação do Barão Vermelho na primeira edição do Rock in Rio (1985) que coincidiu com a eleição de Tancredo Neves e o fim da ditadura militar . A plateia em uníssono cantando " pro dia nascer feliz, o mundo inteiro acordar e a gente dormir" era um canto de libertação de um período tão nebuloso da História do Brasil.

Hoje eu quero matar essa saudade. Uma quinta só é pouco pra falar sobre Cazuza...



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