Pular para o conteúdo principal

Entrevista : As Relíquias Sonoras de Lui Macedo


Fã de Engenheiros do Havaí, Roxette e Blitz, o mineiro de Governador Valadares divide em seu Instagram seu amor pela música
Foto:arquivo Lui Macedo





Música: uma paixão de vida para Lui Macedo, publicitário morador de Governador Valadares, cidade de 281.046 habitantes localizada no interior de Minas Gerais, no Vale do Rio Doce. 

Para os amantes de música seu escritório, cenário de suas lives em seu canal do Instagram (@reliquiasonora) é um paraíso: conta com mais de 2 mil LPs, CDs, compactos e fitas K7. 

É neste canal ainda que ele divide com seus seguidores curiosidades sobre as histórias dessas "relíquias", como a de um compacto de Amália Rodrigues lançado no ano de 1960, com uma dedicatória de uma viagem para Portugal datada de 1964, um presente descartado por alguém desconhecido.

O gosto pelo universo musical surgiu ainda na infância, quando  acompanhava o pai advogado em viagens de carro para as cidades vizinhas, em idas aos fóruns. O então menino era o responsável por escolher a trilha sonora que os conduzia para Ipatinga ou para Coronel Fabriciano. Dentro de uma caixa de fitas encontrava Altemar Dutra, Ataulfo Alves, Nelson Gonçalves, Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto eram embalados por essas grandes vozes rumo às audiências.

 Anos mais tarde quando o pai fora acometido pelo Mal de Alzheimer  por indicação de uma psicóloga saiu com ele de carro e colocou as músicas que ouviam juntos. Como mágica Sr. Luiz (mesmo nome do filho) se lembrou das letras, cantou, contou histórias daqueles artistas e interagiu sem nenhum empecilho- ali foi a prova nítida de como a música era elo determinante em suas vidas.

Em 2003 quando ingressou no curso de Publicidade e Propaganda ficou encantado pelo universo da rádio. Decidiu então que tinha que contar as histórias daqueles álbuns e criou o projeto que ganhou uma página no Instagram e já conta com mais de 1500 seguidores de vários lugares.

Ali, divide seu amor pela música, pelo time amado Fluminense e pela doce esposa Fabiany e pela encantadora filha Manu, que já mostra ter afinidade pela comunicação. 

Lui é de uma grande generosidade e humildade e recebe em suas lives nomes de pessoas que fizeram história na música brasileira. As entrevistas estão disponíveis no Instagram e no Canal do  YouTube Relíquia Sonora

É ele quem abre o baú de relíquias na entrevista de hoje.

( Tatiana Valente) 

FS- Como e quando surgiu o Relíquia Sonora? Quantos LPs você tem?

O Relíqua surgiu dentro da rádio da UNIVALE (Universidade Vale do Rio Doce) de Governador Valadares MG, durante meus anos de estudante de comunicação Publicidade e Propaganda. Mas exatamente nós períodos finais do curso. Eu sempre amei rádio, música, e queria muito um dia ter um programa de rádio que abordasse sobre flashbacks, mas que o programa não fosse apenas música, mas informações sobre aquela música, daquele disco daquele cantor ou banda. E como eu havia por anos guardado discos dos tempos da criança eu chamava esses discos de relíquias. Mas o nome Relíquia Sonora surgiu mesmo em uma conversa minha com um senhor que eu gostava muito chamado Geraldo Policarpo, quando um dia ele me abordou querendo saber se eu ainda guardava em casa meus discos. Quando disse que sim ele me disse, ali você guarda muitas Relíquias Sonoras. Imediatamente eu anotei esse nome no papel porque sentia que ele me seria muito útil. E foi (rs). Hoje possuo mais de 2 mil discos + cds, DVDs, compactos e fitas K7.


FS- Quais foram os primeiros LPS da sua coleção?


O primeiro de todos foi um disquinho da coleção bauzinho encantado, uma coleção de discos compactos do Sílvio Santos contando histórias infantis. 

Mas meu LP chave para eu começar a colecionar foi o primeiro disco da Blitz, aquele famoso lançado na década de 80 e que saiu riscado de fabrica por conta de 2 músicas censuradas. 


FS- Teve algum episódio curioso durante este tempo?

Sim, uma pessoa ousou me pedir para que eu desse meu preço nas minhas caixas de vinis para ele comprar. Ela achou que eu iria vender por não ter um aparelho toca discos a muitos anos e que eu venderia os discos por estarem a anos encaixotado. Nunca disse um não tão sonoro quanto esse. (rs)


FS- Quais discos você ouvia na Infância?

Ouvia muito balão mágico, Trem da Alegria, Abelhudos além dos meus xodós que eram os discos da Blitz e de outras bandas do Rock Nacional, que estava explodindo no início dos anos 80.


FS - Qual LP mais caro que você tem?


Ainda não parei para avaliar isso, acredita? Mas tenho em mente que seja uma edição limitadíssima de um disco do Raul Seixas. 


FS-Qual o de maior valor sentimental?

 Sem dúvida esse da Blitz, até enquadrei ele, ele fica na parede do meu escritório/ sala de som onde deixo todos os meus discos.


FS- Como surgiu a ideia de fazer entrevistas (lives?)

Foi durante a pandemia, período em que as lives se popularizaram com força. 


FS-Quais destas mais te marcaram?


 Posso dizer que todas elas, adorei fazer cada uma. Mas destaco três delas. A live com o Milton Guedes, um cara que eu jamais imaginava que cederia uma hora de sua vida pra falar comigo. A segunda muito marcante foi a com o Augusto Licks, Guitarrista da formação clássica do Engenheiros do Hawaii, nós anos 80 e até meados dos anos 90, e que foi uma gentlerman comigo, realizando um sonho antigo de um dia falar com ele. Essa foi também a live mais longa que fiz, durou 3 horas e meia de muito papo e revelações sobre sua vida antes durante e pós saída da banda. E por fim a live que fiz com você e a Mônica do @musicgenerarion e com  a participação especial e luxuosa da atriz Nina de Pádua, a cantora Lucinha Turnboull e a querida Lia Santiago, grande artista performer chover da Rita Lee. Esse dia foi inesquecível demais para mim e para a curta história do Relíquia Sonora.


F.S- Quem você gostaria de entrevistar?

 Poxa, ainda sonho em falar com tantos nomes da nossa música... (rs)


FS- O que o Relíquia Sonora te trouxe de positivo?

Muita coisa, é até difícil de enumerar, mas não tenho dúvidas de que os inúmeros amigos "virtuais", mas que mais parecem que conheço a muitos anos. Meu network durante esse período da pandemia cresceu assustadoramente. São pessoas que adquiri muito carinho e uma amizade super positiva

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Para Lô...

    No dia de hoje nem tenho o que dizer ou escrever ao certo. Só sei que aprendi essa canção de Salomão Borges Filho ainda na infância, e já me tocava o trecho em que ele cantava: " se eu morrer não chore não, é só a lua..." Sim, foi a lua. Agora sei que te encontro lá toda vez que ouvir sua obra. Achei este registro de 2023, num dia que essa música estava na minha cabeça, pedindo para ser cantada. Ao mesmo tempo um bem-te-vi no muro começou a cantar. Nem ele resistiu à beleza de "Um girassol da cor do Seu Cabelo". Vai em paz Lô... Obrigada por tanto.

Centenário Inezita Barroso

  Centenário - pesquisadora de nossa cultura popular, Inezita reunia gerações em seu programa exibido todos os domingos pela TV Cultura Foto: Reprodução Itaú Cultural Ontem, dia 4 de março, foi celebrado o centenário de uma mulher, que enquanto esteve aqui, neste plano, viveu por e para a música brasileira: Inezita Barroso. Conhecida como  a "D ama da Música Caipira", por trinta anos  abriu as portas de seu programa Viola, Minha Viola, exibido pela TV Cultura, para receber artistas da velha e nova geração.  Nascida Ignez Madalena Aranha de Lima no ano de 1925 na cidade de São Paulo adotou o sobrenome Barroso do marido. Foi atriz, bibliotecária, cantora, folclorista, apresentadora de rádio e TV.  Segundo a neta, Paula Maia publicou em seu Instagram, foi uma das primeiras mulheres a tirar carteira de habilitação e viajou por todo país para registrar músicas do folclore brasileiro.  Recebeu da Universidade de Lisboa o título de honoris causa em folclore e art...

Go Back 80's celebra os 40 anos do Rock Brasil

    Rock Brasil - A Go Back 80's se apresenta no Clube do Choro  de Brasília nesta terça-feira levando o rock brasileiro da década de 80 para o público brasiliense                                  Foto: Estúdio Laborphoto      A década de 1980 foi determinante para a música brasileira. Foi neste período que surgiram as bandas de rock que fizeram história e firmaram o estilo musical no nosso país. Para homenagear os 40 anos do rock brasileiro, cinco músicos se reuniram para levar o bom e velho rock para todos os cantos. Nessa terça-feira, 10 de setembro, às 20 horas, a Go Back 80's se apresenta no Clube do Choro de Brasília com o show "40 anos de Rock Brasil". "A banda Go Back está em turnê pelo centro oeste, onde trás o show "40 anos de rock Brasil uma seleção de músicas e artistas que consagraram e edificaram esses estilo musical no Brasil. Uma forma de homenagem a este ...