Pular para o conteúdo principal

Quinta da Saudade : "Quem nunca quis ser uma paquita..."

 

Mais que bailarinas - as assistentes de palco da rainha dos baixinhos embalaram minha infância
Foto: Reprodução LP


Eu quis . E Muito.

 Elas eram " mais que bailarinas, eram meninas em sintonia com a emoção", como cantavam na música " Alegres Paquitas ". Numa mistura de Patotinhas,  Meia Soquete- com o toque da varinha de condão da fada madrinha Xuxa Meneghel  e da empresária Marlene Mattos-  um grupo de meninas foi batizado de As Paquitas e lançou o primeiro LP pela RGE no ano de 1989.

Elas cantavam, dançavam e atuavam e durante o programa "Xou da Xuxa"- exibido diariamente pela Rede Globo- eram assistentes de palco da "rainha dos baixinhos". Imagina ter acesso direto à majestade?

Eu sonhava em ter . Ficava me imaginando usando aquelas roupas cheias de correntes e ombreira com franjas, com um chapéu parecido com os usados por soldados com um enorme X. Eu teria um apelido como todas elas tinham : Andréia Veiga a primeira de todas inaugurou o termo "paquita"; Andréia Faria (Xiquita Sorvetão); Ana Paula Guimarães (Catuxa); Roberta Cipriani ( Xiquita Surfista); Tati Maranhão (Paquitita); Priscila Couto ( Catuxita Top Model); Ana Paula Almeida ( Pituxita Top Model) e  a atriz Letícia Spiller (Pastel).

Qual seria o nome que a rainha me daria? 

Talvez Valentita, ou Valentuxa. Não me importava pois eu sabia todas as coreografias, e o LP produzido por Michael Sullivan e Paulo Massadas rodava insistentemente na sala de minha casa. Minhas amigas chegavam para brincar e lá estavam as paquitas cantando " quem quer pão, pão..."-  já fez a mãozinha né? (rs)

As músicas eram na grande maioria  dançantes, com um pouquinho de romantismo. Como em "Óh Lua" que elas pediam um namorado, ou em "Marciano" em que exigiam um extraterrestre "alto e forte "-pensando bem até eu queria. Em "Um ano sem você" (autoria de José Augusto e Paulo Sérgio Valle) uma voz quase chorosa lamentava a falta do "paquito". 

Porém para ser assistente da rainha tinha um quesito principal : ser loira, ou colorir os cabelos de loiro. Eu era ainda muito criança, elas já eram adolescentes. Mas tive lá meus dias de paquita mogiana.

Minha mãe mandou fazer um uniforme igual ao delas para mim. Azul royal, cheio de correntes era a roupa que eu usava para dançar em casa ou nas apresentações da escola. Também fui paquita no aniversário de minha irmã caçula que teve como tema o "Xou da Xuxa". No meu faz de conta minhas bonecas eram a plateia e eu dançava para elas. 

Anos mais tarde, já adolescente tive um gosto do que era ser paquita: fui convidada para integrar a comissão de frente da fanfarra da Escola Estadual Leonor de Oliveira Mello, onde cursava a sexta série. Ali tinha de ensaiar duro as coreografias para os desfiles e entendi que a vida de paquita não devia ser fácil: o suor escorria do chapéu e da roupa que pesava durante a dança. Sem contar a bota até os joelhos que depois de uma tarde inteira marchando e dançando dava calos horríveis.

Mas para dividir essa saudade com vocês escolhi a minha música favorita." Bate na madeira" é uma canção de Sullivan e Massadas no qual as meninas passam pelo alfabeto inteiro até achar um amor: até no botequim do Valdemar elas foram parar . Tinha o "Zé", mas esse virava jacaré. E ninguém quer... (rs)

O melhor de tudo isso foi a cara do meu filho ao me ver dançar na sala como uma criança. " Bate na madeira, não te quero não..."




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Para Lô...

    No dia de hoje nem tenho o que dizer ou escrever ao certo. Só sei que aprendi essa canção de Salomão Borges Filho ainda na infância, e já me tocava o trecho em que ele cantava: " se eu morrer não chore não, é só a lua..." Sim, foi a lua. Agora sei que te encontro lá toda vez que ouvir sua obra. Achei este registro de 2023, num dia que essa música estava na minha cabeça, pedindo para ser cantada. Ao mesmo tempo um bem-te-vi no muro começou a cantar. Nem ele resistiu à beleza de "Um girassol da cor do Seu Cabelo". Vai em paz Lô... Obrigada por tanto.

Música que dá colo : Estrela

Dar aula para o terceiro ano do Ensino Médio é um desafio imenso:  uma fase em que os adolescentes na sua grande maioria se sentem pressionados pelo vestibular e pela escolha de uma profissão que "teoricamente" devem levar para o resto da vida. Eu aos dezessete anos só sabia que gostava muito de música, de livros, de escrever, de falar e de inglês. Sabia que meu rumo estava na área de humanas porque matemática nunca foi fácil para mim. Biológicas tinha só um empecilho: meu pânico ao ver sangue. Meu rumo estava quase que decidido : iria para o curso de Letras, onde teria minha licenciatura e poderia aprender mais sobre os autores que já faziam parte de minha vida.  Sempre gostei muito das aulas de História: para entender literatura é importante saber sobre o contexto histórico da obra, quais os acontecimentos determinantes na sociedade da época.  Tive ótimos professores de História no Fundamental, no Médio e na Faculdade mas um do terceiro ano dividia comigo um amor: a mús...

Resenha - " Sullivan & Massadas: Retratos e Canções"

  Emoção - convidada Renata Barros relata o turbilhão de sentimentos no documentário sobre Michael Sullivan e Paulo Massadas Foto: Reprodução UOL/ Rogerio Von Kruger "Hoje vou pedir licença para minha querida amiga Tatiana Valente @tativalentejornalista a e o maravilhoso blog @falandoemsol para recomendar o documentário que está no @globoplay sobre @michaelsullivanoficial e @paulomassadas é PERFEITO!  Descobri que os dois maravilhosos compositores são responsáveis por todos os hinos presentes na minha infância, adolescência e vida adulta. Se vocês amam música, documentário e história da música eu recomendo muitooooo que assistam. É uma viagem maravilhosa na MPB Brasileira, repleta de riqueza e descobertas. Eles, esses compositores conseguiram não somente marcar os ouvidos e sentimentos das pessoas mas sim personificar o que eu sinto e penso sobre a música, “A música é uma necessidade d’alma". Após ter postado esse comentário em minhas redes sociais tive a imensa alegria...