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Quinta da Saudade: " Essas ruas de clave, sol e de multidão..."



Vulcão da LiberdadeAlgumas de minhas relíquias da cantora, compositora e bailarina Daniela Mercury
Foto Cd e LP: Tatiana Valente





Ela já vivia em meu walkman desde que conheci " O Canto da Cidade".  Em uma fita cassete carregava algumas músicas como a que dava nome ao disco, "Batuque"; " Você não entende nada/Cotidiano"; "Bandidos da América"- achava incrível a brincadeira " Salve a dor/ Salvador". E a romântica "Só Pra te mostrar" de Herbert Vianna tema de  uma novela. 

Daniela Mercury era -para nós meninas que gostávamos de dançar- uma referência do que é ser uma artista completa: cantava e dançava  e era bailarina de verdade. Uma baiana "arretada" de cabelos cacheados  que levantava a gente e contagiava com sua arte e seu sorriso aberto.

Dois anos depois ela lançou o meu álbum favorito dela. Também produzido por Liminha- meu produtor xodó que assinava a composição de duas músicas - "Música de Rua" chegou em casa um pouco depois do aparelho de CDs. Foi "detonado" pela crítica da época, mas eu era uma menina que amava música e não uma especialista em procurar defeitos em nada. Meu ouvido era treinado para dançar. Ali  entendi que a cantora e compositora era um "Vulcão da Liberdade" e pulei muito ao som de " Amor ao Ilê" que dizia que o garoto quando via o ilê perdia o juízo.  Sambei muito com "Folia de Reis"- de reis e de rainhas, né Carlinhos Brown?

Conheci   o ritmo gostoso de " O reggae e o mar" - " quem balançou, balançou..." e o "Rap Repente" que tinha dentre os seus compositores o músico Ramiro Mussoto também era responsável por alguns arranjos e percussão.

As românticas "Rosa" e "Sempre te quis" (Herbert Vianna, lindo de novo) quebravam um pouco a agitação. Mas eu, garota de 13 anos queria mesmo era dançar. Acho que os críticos da época não sabiam o que era dançar até cair sentada no sofá. 

Mas uma música deste Cd me despertou um sentimento do que era ser brasileira e patriota de verdade, com orgulho de ser brasileira . Uma composição de Daniela e de Pierre Ramos chamada "Música de Rua" dizia que sobre uma " arte que arde"; de um "povo que invade as ruas de clave, de sol e de multidão"; " que é feliz e chora" e que dança a própria dança.

E é essa alegria que vou dividir com vocês nesta quinta da saudade. 

"Alegria agora e depois e depois e depois de amanhã!"



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