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Bar e Museu Clube da Esquina : O lugar onde os sonhos não envelhecem


Na Esquina- no cruzamento das ruas Paraisópolis e Divinópolis o registro do nascimento de canções que embalam várias gerações 
Fotos: Tatiana Valente



Na descida da ladeira galhos repletos de buganvília de cor magenta emolduram a visão das placas  indicando o cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis.  Rastros de flores primavera caídas no chão, queimadas pela geada da  noite traçam o caminho que os olhos percorrem e   localizam, de imediato, no outro lado da rua, uma esquina de calçada larga e piso de bloquete bicolor.

 Ali, naquele local, situado no bairro boêmio de Santa Tereza em Belo Horizonte se reuniam no final da década de 1960 jovens sonhadores, amigos que se encontravam para criar músicas. De tudo, naquela esquina, se fazia canção. Dentre  eles : Lô e Yê Borges, Joãozinho, Amauri, Landinha, Dago, João Luiz, Beto Ronca Ferro. De acordo com a placa na parede  que carrega impressa  a letra da emocionante Clube da Esquina, composição de Milton Nascimento, Lô e Marcio Borges - quem também assina o texto-  foi ali que nasceu o "movimento musical",  de um grupo que amava os Beatles, e pregava a paz e o amor na Terra. O nome Clube da Esquina era a forma que dona Maria Fragoso Borges se referia ao espaço onde os filhos e amigos se encontravam.

"  Aqui nesse pedaço de chão se sentaram meus irmãos de sangue e chão se sentaram meus irmãos de sangue e de som, Marilton, Milton, Lô, Ronaldo,  Fernando, Beto, Toninho, Wagner, Tavinho, Naná e tantos outros- e juntos, instrumentos à mão, sonhamos com a liberdade e  a união entre todos os homens".



Subindo  a rua Paraisópolis é possível ver a placa do Bar e Museu Clube da Esquina- antigo Bar Godofredo- que desde 2015 oferece ao público, em especial aos fãs dos movimento, programação musical com artistas que têm no repertório os sucessos do Clube da Esquina e canções dos artistas que influenciaram ou foram influenciados por eles. Durante a semana oficinas culturais são realizadas no espaço, como a  de Tambores de Minas  que acontece desde o início de julho.

Logo na entrada do bar, que aos sábados e domingos serve almoço com as delícias da comida mineira, a sensação é a de uma viagem no tempo: a decoração traz itens e instrumentos musicais que pertenceram à Nascimento, aos Guedes e aos Borges. O menu, faz uma brincadeira com os nomes das músicas nos drinks, nos pratos e nas sobremesas.  Quem gosta de carne bovina pode se empanturrar de "Trem de Doido". O vegetarianos podem se deliciar com a "Paisagem da Janela", uma parmegiana de berinjela . Um dos drinks recomendados é  "Travessia", que tem dentre os ingredientes licor de jabuticaba. Para encerrar e tentar enfrentar a ladeira íngreme do caminho de volta a deliciosa sobremesa "Maria, Maria"- com o doce mineiro do dia e queijo de Minas.

Os pais podem aproveitar para curtir com tranquilidade  a apresentação musical do dia pois o espaço ainda conta com um parquinho para que os pequenos possam brincar e interagir.

Exposição

Próximo ao palco uma porta convida os frequentadores do bar a fazer uma "travessia". Dois andares abrigam a Exposição "Porque se Chamavam Sonhos", concebida pelo compositor, escritor e integrante do Clube, Márcio Borges.

 A cada nicho o visitante é convidado para  imersões em canções como "Nuvem Cigana", " Coração de Estudante", "Para Lennon e McCartney", "Sonho na Correnteza", "Clube da Esquina 2  e " Canção da América". Estas fazem as trilhas dos ambientes que abrigam instrumento musicais s e objetos pessoais dos músicos como a beliche dos Borges,  fotos de todos que participaram do movimento e uma belíssima linha do tempo com todos os álbuns lançados por eles.

 Pensando nos ouvintes do amanhã a exposição conta ainda com mesas e cadeiras infantis repletas de papéis, canetinhas e lápis de cor. Logo adiante pequenos fones de ouvido trazem diferentes músicas para que as crianças possam ouvir e criar desenhos sobre elas. Alguns dos visitantes como a pequena Manuela, deixam registrados a emoção de de passar por ali.

" Adorei. Aqui tem laços grandes e fortes (importantes) com o passado. Adoro essas músicas", em bilhete assinado com corações e a certeza de que se depender da próxima geração, os sonhos não envelhecerão nunca.





Serviço

Exposição “Porque se chamavam sonhos”

Local: Bar do Museu Clube da Esquina – Rua Paraisópolis, 738 – Santa Tereza- Belo Horizonte


Horários de visitação:

Terça, Quartas, quintas e sextas: de 18h as 00h
Sábados: de 12h às 00h
Domingos: de 12h às 17h

Preço

Quarta e quinta-feira a entrada é franca

Terça, Sexta-feira, sábado e domingo: ingressos a R$5,00






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