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Mandrágora e Bety Vinyl levam música brasileira para países hermanos


Turnê America Latina- músicos brasilienses levarão para países sul americanos a música instrumental autoral que mescla a suavidade do som do violão com a força das cordas de aço e a energia feminina na percussão
Foto: Julia Salustiano


Intercâmbio Cultural-  Cantora e compositora uruguaia Mica Tanco fará uma participação especial no show que acontecerá em Montevidéu
Foto: Reprodução Instagram

Paraguai, Uruguai e Argentina estão entre os países no roteiro da turnê que o duo brasiliense Mandrágora  e a percussionista Bety Vinyl darão início na próxima semana. A "Turnê América Latina 2023"- confira a agenda no site - é a retomada de um trabalho que ficou em stand-by por causa da pandemia do coronavírus.

"  Na verdade é um retorno, depois da pandemia que a gente ficou encarcerado, preso. Essa turnê é um respiro de vida. Em 2019 a gente estava em pleno movimento, finalizando uma turnê no Brasil, a gente fez cinco estados, num ano super bacana, tinha acabado de lançar nosso DVD num show no Clube do Choro de Brasília, e aí em 2020 iríamos trabalhar na divulgação de nosso DVD em comemoração aos 20 anos de carreira do duo, e foi aquele banho de água fria com a pandemia", lembra o violonista Jorge Brasil.

O duo formado por Jorge, gaúcho de Santa Rosa e pelo brasiliense Daniel Sarkis teve início no ano de 1989, na Escola de Música de Brasília, quando os colegas de sala se conheceram e numa identificação imediata se tornaram amigos . Dez anos depois se reencontraram para ouvir algumas composições instrumentais de Jorge, que convidou o amigo para fazer um trabalho em parceria. Estava formada a Mandrágora, um duo de violonistas que prima num trabalho quase de lapidação por realizar um trabalho autoral de uma forma a buscar e mesclar a suavidade do som do violão com a força das cordas de aço.

" Eu sempre pensei em ser músico pela possibilidade de compor. Acho que se não tivesse essa veia de composição não teria seguido. Gostamos de produzir nosso som, fazer um som autoral, sempre foi foi nosso foco. Lógico que tivemos nossos mestres que a gente admirava tocando. O primeiro duo que conheci foi lá na escola de música mesmo, era o Cláudio e o João. Eles tocavam pra caramba, depois se tornaram nossos amigos, me lembro de vê-los tocando no corredor da escola, aquele som lindo, com os violões tocando juntos. Depois eu vi o Duofel, de São Paulo, que abriu um leque de possibilidades,  com violões de cordas de aço, eles mudando as afinações, fiquei embasbacado quando os vi tocando. Começamos a criar nossas canções e buscar as cordas de aço, tocávamos na Orquestra de Violões de Brasília, e eram violões de corda de nylon", lembra Jorge que citou ainda referências da música folk que optam por cordas de aço como Joan Baez, Bob Dylan, Joni Mitchell.

O repertório da turnê fará uma viagem pelos três álbuns lançados pelo duo e que estão disponíveis em todos os streamings: Mandrágora (2004); Paralelo 31 (2013) e Mandrágora Ao Vivo (2019), além de mostrar ao público algumas músicas que ainda não foram lançadas. Nas composições os músicos trazem todas as suas referências pessoais e alguns registros do que vivenciaram nas viagens e países pelos quais passaram  e imprimem nas músicas uma síntese cultural de sabores, comidas e lugares. Nos acordes das canções é possível experimentar uma sinestesia auditiva-tátil: o som das cordas evoca as curvas e os  movimentos feitos pelos caminhos das estradas.

" A gente fez em 2007, eu, Daniel e mais dois amigos uma 'mochilada' e nosso destino final era Machu Pichu. Saímos na fronteira com a Bolívia em Puerto Quijarro e pegamos o famoso trem da morte que nos levou até Santa Cruz de La Sierra e de lá seguimos de ônibus, de  trem até chegarmos no nosso destino final. Na volta compusemos várias músicas que até hoje a gente toca, como a ' 22 horas no Trem da Morte', um resumo desta viagem, um retrato das paisagens, dos precipícios, dos abismos dos lugares pelos quais a gente passou", conta.

Para esta turnê Jorge e Daniel contarão com a participação da percussionista brasiliense Bety Vinyl. Conhecida por sua habilidade e pioneirismo no derbake feminino no Brasil, traz a essência feminina e muito ritmo para o repertório do duo Mandrágora.

" No ano passado a gente estava retomando os shows e sentiu a vontade de ter mais um elemento para dar uma novidade para o duo,  Daniel e eu estamos juntos há muito tempo, já fizemos shows e discos com bandas, e deu vontade de trazer uma energia diferente. E pensamos na Bety, que toca os instrumentos que têm a mesma atmosfera do nosso som, traz a percussão étnica, toca o derbake, o cajón, de uma forma muito dela. É muito legal ter ainda a energia feminina, é super bacana. A convidamos para participar de um show na Galeria Mundo Vivo, aqui em Brasília e ela tocou, e ela trouxe o espírito de banda, uma diferença enorme de quem veste a camisa e veio pra somar. Bety é muito querida, tem um coração enorme e veio para os ensaios com toda vontade, já chegava com tudo na mão",diz.

Outra convidada especial nas apresentações que acontecerão no Uruguai é da cantora e compositora Mica Tanco que se apresentou na primeira edição do Quito Blues Brasil, realizada em maio deste ano e teve uma identificação imediata com os músicos. Ela mostrará canções autorais, segundo Jorge uma forma de enriquecer o repertório e promover uma troca entre os brasileiros e os artistas locais.

" Estou muito grata pelo convite feito pela Mandrágora. É um prazer e uma honra fazer parte de sua 'Turnê América Latina' em sua passagem pelo Uruguai.", afirmou a musicista em seu Instagram e lembrou ainda que o show acontecerá na "Vieja Farmacia Solis", um espaço cultural e patrimônio arquitetônico em em Montevidéu.

Essa viagem foi viabilizada pelo programa Conexão Cultura DF que tem como prioridade beneficiar diversos segmentos da cultura e economia criativa apoiando custos como inscrição e participação em eventos, cursos, intercâmbios, residências, feiras, mercados, showcases, festivais entre outros projetos culturais. Para os músicos brasilienses o fomento é essencial para a divulgação da música autoral produzida na capital do país.

" É importantíssimo esse tipo de programa, apoio, suporte à cultura. A gente tem de valorizar, divulgar. Fomos contemplados pelo Conexão Cultura DF, um programa que visa levar para o mundo a produção autoral feita aqui no DF,  de levar para o mundo para participar de festivais, fazer cursos. Nós agradecemos muito ao FAC (Fundo de Apoio à Cultura), à  Secretaria de Cultura do DF, porque na nossa carreira, sempre pudemos contar com o apoio do FAC- todos os nossos discos, duas turnês nacionais, sem ele tudo teria sido mais difícil. Fazemos questão de enaltecer, divulgar e valorizar ao máximo esse investimento que eles fazem na gente.  A gente precisa mostrar para outras cidades, países o quão importante  é ter esse tipo de apoio, para que surjam mais FACs pelo Brasil inteiro", conclui Jorge.

Confiram hoje no Falando em Sol um pouco do que o  Mandrágora  apresentará para nossos "hermanos" a partir da próxima semana. A música "22 horas no Trem da Morte" foi lançada nos álbuns Paralelo 31 e Mandrágora Ao Vivo, disponível nos streamings.






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