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Quinta da Saudade : " O Sal da Terra..."

 


Mensagem - música lançada no ano de 1981 no LP " Contos da Lua Vaga" já mostrava caminhos de como ser " Sal na Terra"
Foto: Tatiana Valente


" Vós sois o sal da terra. Mas se o sal perder o sabor, com que se salgará? Não serve para nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelas pessoas", disse Jesus a seus discípulos em uma de suas parábolas. Mas o que seria ser "sal na terra", pensava eu ainda criança na escola dominical, quando saber as passagens bíblicas muitas vezes tinha intuito decorativo,  de qual time ganharia mais pontos sabendo os nomes e onde estavam essas passagens na Bíblia sem nenhum estudo explicativo. 

Fui compreender na juventude, observando atitudes de pessoas que praticavam o trabalho voluntário, de ajudar ao próximo e fazer diferença na vida das pessoas. Ajudar sem olhar a quem. Amar ao próximo como a si mesmo, estender a mão sem exigir nada em troca. Essas atitudes numa comparação concreta seriam o real significado de ser o sal na terra: o tempero no mundo. A diferença.

Impossível não falar aqui sobre os últimos acontecimentos e a tragédia que tomou conta do Rio Grande do Sul. Segundo cientistas,  já anunciada devido a intervenção do ser humano no meio ambiente. Porém num momento como esse  procurar ou apontar culpados é muita perda de tempo. E o tempo para aqueles que trabalham no resgate de pessoas em situação de alagamento é muito valioso. Os voluntários que partiram para o Sul afim de ajudar quem precisa são sinônimos de sal na terra. Assim como aqueles que de alguma forma repartiram roupas, alimentos, água ou mesmo algum dinheiro para enviar aos irmãos gaúchos que tanto necessitam nesse momento.  Como os artistas que se mobilizaram e organizaram shows que acontecerão nas próximas semanas para arrecadar fundos para os desabrigados pelas enchentes. Muitos que perderam suas casas e mesmo assim colocam suas dores no bolso para socorrer seus vizinhos. Se colocar no lugar do outro é um ato de amor. É com atitudes, muito  mais que memorizar  e recitar passagens bíblicas, colocar em prática tudo  o que Jesus Cristo nos veio ensinar. 

Em meio a tanta tristeza, infelizmente, ainda existem aqueles que como a própria parábola diz : "não servem para nada", apenas para mostrar que o ser humano tem muito a evoluir. Os "juízes de internet", que apontam motivos surreais para a tragédia; os intolerantes religiosos; os marginais que roubam as casas deixadas pelos moradores; os abusadores de mulheres nos abrigos e os propagadores de fake news, mais preocupados com suas ideologias políticas e cliques do que com o fato em si.

Nesse momento observar o exemplo de como muitas vezes os animais são mais evoluídos do que alguns seres humanos -  que de humanos não têm nada- é um bálsamo para nossas almas. A resiliência do cavalo em cima de um telhado aguardando seu resgate. Os encontros dos cães com seus donos, mesmo abandonados na hora do desespero, correndo para seus tutores com a alegria de quem abraça seu melhor amigo. A esperteza dos gatos de correr para o alto e miar como se pudessem falar. Na verdade falam. O homem finge não ouvir. A natureza grita. Mas só ouve quem tem ouvidos para ouvir e só enxerga quem tem olhos para ver .

Sobre os cuidados que devemos ter com o nosso planeta é que fala a música "O Sal da Terra", composição de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, lançada no LP "Contos da Lua Vaga", do ano de 1981. É pra essa reflexão que minha Quinta da Saudade vai levar vocês. 

P.S : Beto, melhoras. Te amamos. Muito!







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