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Lulu e eu - Parte 8 : " a gente tá na lanterna do tempo que virá..."

 


En Español muito antes do discurso no evento de abertura do Grammy Latino, Lulu "hablou" em língua espanhola em álbum de 1997
Foto: Tatiana Valente

Na segunda-feira, na cerimônia  de abertura que aconteceu em Miami, o nosso hitmaker Lulu Santos recebeu junto de outros nomes da música latina o prêmio de "Excelência Musical" no Grammy Latino. No evento apresentado por Glória Estefan - dancei muito "Conga" com ela- estava acompanhado de seu companheiro de vida Clebson Teixeira, do CEO da União Brasileira dos Compositores  Marcelo Castello Branco; pelas jornalistas Michele Miranda e Renata Araújo; além de amigos como a atriz Fernanda Rodrigues e o ator e diretor Raoni Carneiro. 

Nem preciso dizer que do outro lado da tela do celular estava em prantos, lembrando de cada momento em que Lulu lançava um álbum, um videoclipe e mais emocionada ainda quando em seu discurso citou ter convidado o ex-Menudo Draco, ou o Robby Rosa para gravar "uno, dos, trés cuatro" em uma faixa de seu LP. Me lembrei então de outro momento em que o nosso " rei do pop", ou " rei do ie ie ié"- como preferirem - gastou seu espanhol. 

O ano era 1997. Lulu estava em todas, até uma ponta no filme " O que é isso Companheiro"  fez. Recém- saído da turnê de " Anti-Ciclone Tropical" buscava trazer para suas músicas toda tecnologia e a velocidade insana que a Internet impunha, que ainda não era como é hoje, mas para nós naquele tempo uma imensa evolução na forma de se comunicar.

Assim nasceu o álbum "Liga Lá", com uma capa "diferentona" - como podem ver na foto- e alvo de teorias da conspiração no período da pandemia do Coronavírus. Alguns fãs diziam que Lulu tinha feito a previsão de como seria o desenho do vírus. Fake news a parte - por falar nisso, alguns colegas jornalistas precisam aprender a checar fatos e ouvir dois lados  antes de publicar suas matérias- o álbum era mesmo uma previsão do futuro. Hiperconectividade falava sobre alguém que viria do futuro, faria a hiperconectividade rolar. Qualquer semelhança com a chegada de Clebson, seria mera coincidência?

Essa canção ganhou um videoclipe digno  de cinema, tão elaborado quando os videoclipes de Michael Jackson. Lulu e Bel Kutner eram reféns de um cientista maluco,  vivido por Ernani Moraes. No álbum produzido por Marcelo Sussekind, a música eletrônica deu um ar futurístico para hits conhecidos do grande público como " Ando Meio Desligado" ( Mutantes) e " Fé Cega, Faca Amolada (Milton Nascimento- Ronaldo Bastos). 

Dê um Rolê  (Moraes e Galvão) ganhou o que chamam hoje de mashup, com uma inserção de Scarlet Moon recitando " As Sem- Razões do Amor" de Carlos Drummond sob o tema "Amor e Poesia" por Sacha Amback. Aliás a banda de Lulu na época era formada por Sacha, Alex de Souza, Ramiro Mussoto, Dunga, Marcelo Costa e o recém-chegado PC, que entrou substituindo Milton Guedes na flauta e no sax. As meninas ficavam doidas e a lenda na época era que o charme não era do Milton. E sim do instrumento (risos).

O álbum teve a participação especialíssima de Arthur Maia em " Creio" e do maestro Leitieris Leite na faixa em que  Lulu resgatou o samba "Chico Brito" de Wilson Batista e Afonso Teixeira. Ritchie, companheiro de Vímana participou da faixa "Vôo de Coração", composta por ele e Bernardo Vilhena. O espanhol que citei ali em cima foi belamente cantado em " De Mi", do argentino Charly Garcia e "Tempo-Espaço" ganhou um arranjo maravilhoso - de arrepiar- do maestro Rogério Duprat.

Vendo Lulu receber a honraria no Grammy Latino tive a constatação de que ele assinou definitivamente seu nome no panteão das estrelas da música. E toda vez que olhar para o céu terei a certeza de que a obra ficará e Luís Maurício será eterno, estará logo ali, "na lanterna do tempo em que virá..."

Dica da escritora: ouçam esta canção de fones de ouvido, numa noite de céu estrelado e façam todos uma boa viagem.





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