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Juliana Rodrigues lança minissérie Caderno de Composições




Registro- pianista e compositora mogiana traz em forma de minissérie a questão de gênero no processo criativo de suas obras
Foto: Lethicia Galo

 

    A pianista e compositora Juliana Rodrigues lançou dia sete de março no YouTube, "Caderno de Composições", minissérie em que apresenta o processo criativo de suas obras. Ao longo de quatro episódios, sendo um para cada música, a musicista aborda as técnicas e processos utilizados nas composições. 

A composição é um fazer tradicionalmente atribuído a homens. Trazer a público o processo criativo de uma mulher que ocupa este lugar, configura uma mudança de paradigma. Portanto, essa minissérie pretende subverter este cenário, trazendo ao público uma mulher como protagonista de seu fazer musical com a consciência de que a representatividade incentiva outras mulheres a perceber a atividade da composição como possibilidade para elas, levando ao aumento do número de mulheres compositoras. 

Além da questão de gênero, outro aspecto da minissérie é aproximar a artista do público, trazendo a composição/criação como algo inerente à existência humana, fazendo um contraponto com a ideia difundida pelo ensino de música tradicional de que compor é uma habilidade restrita a poucos. 

Para a série, Juliana escolheu músicas que exemplificam com seus diferentes trabalhos. Entre as estrelas e o chão (disco Vive - 2021), (E)Star (disco Mnemosine - 2017 e na coletânea, também disponível em vinil),  Existimos, vol 1 (2023) do selo Vitrine, Libertad (2019), composta em uma viagem para o Paraguai e Nepalesa foi composta em 2023 após uma residência artística no KatJazz em Katmandu, onde a artista se apresentou com o grupo Hexapoema.

O projeto é financiado pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio do Programa de Fomento à Arte e à Cultura de Mogi das Cruzes, Lei no. 7222/2016 - Projeto Aprovado no. 2023.010.9 de 2023.

  A Pianista e Compositora  iniciou seus estudos de música aos sete anos. É bacharel em Jazz pela Newpark Music Centre em Dublin (Irlanda). Em sua formação constam ainda a Faculdade Internacional de Música Souza Lima & Berklee e a EMESP Tom Jobim, onde estudou, respectivamente, o piano no jazz e na música brasileira e composição contemporânea.

 Em 2024 lançou o single “Por mim, por ti, por todas nós”, composição autoral interpretada por ela junto ao sexteto Hexapoema, grupo que lidera. Tem três discos lançados: “Vive” (2021) e “Mnemosine” (2017) que apresentam suas composições junto ao trio que leva seu nome. Em “Samba-Revolução” (2022) Juliana divide direção e arranjos com suas parceiras do grupo Dona da Rua, formado exclusivamente por mulheres.

É uma das artistas convidadas da coletânea “Existimos, vol. 1” (2023) do Selo Vitrine, que reúne artistas do cenário do jazz instrumental e dos beatmakers de São Paulo, com gravações e remixes de composições originais. Em 2023 e 2024 foi artista residente do Kat Jazz, festival internacional de jazz no Nepal, apresentando shows, participando de rodas de conversa e ministrando aulas. Em outubro de 2024 lançou o disco “MarAdentro” da cantora e compositora Mara Braga, em que assina direção musical e arranjos.

Produziu a minissérie documental “Sobre Vive” (2021) que acompanha o álbum “Vive” trazendo comentários de Juliana e seus parceiros sobre os processos de composição das músicas e de produção do disco. Ao lado do grupo Dona da Rua, produziu a  roda de samba e festival Samba das Mulheres, que reúne mulheres sambistas da cidade de Mogi das Cruzes e do Especial Filhas do Samba em parceria com o SESC Mogi das Cruzes. 

A musicista tem extensa trajetória em movimentos que reforçam e debatem a presença das mulheres no meio musical e artístico. Desde 2016 vem produzindo saraus e outros eventos junto a coletivos de mulheres no Casarão da Mariquinha. Também esteve presente no evento 21 Dias De Ativismo Pelo Fim do Racismo e da Violência Contra a Mulher em 2018, que reuniu mais de 60 mulheres sambistas e diversos setores da sociedade em rodas de conversa, shows e oficinas em sua cidade natal Mogi das Cruzes. Em 2019 fundou o Coletivo Boca de Leoa, com o qual realizava o evento mensal #SomDeQuem com shows e rodas de conversa protagonizados por mulheres e pessoas não binárias. Em 2024 participou de rodas de conversa no Nepal no festival Kat Jazz sobre a presença de mulheres na música e também no SESC Consolação, reforçando sua atuação e de outras mulheres no samba.




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