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Quinta da Saudade : " Rodas em Sol, TatibiTate..."



 


Em Sol - CD duplo que completou 30 anos no ano passado, que fez muitos brasileiros baterem lata, e homenageou todas as brasileiras,e  as Tatis (risos) com canção de Carlinhos Brown
Foto : Tati Valente
Capa do CD: Genial Gringo Cardia


Uma página no Instagram chamada Perrengue Chique postou, ano passado, uma foto que perguntava: " O que fazia você numa manhã de 1995?"
Fui lá e respondi: Me levantava, tomava meu café, pegava a vassoura e ligava o 3 em 1 da sala para ouvir meu álbum duplo "Vamos Batê Lata", dos Paralamas do Sucesso. Uma internauta, daquelas que gostam de criar confusão por criar, me respondeu que o CD não existia naquela época. Na minha casa existia desde o ano de 1994, quando o grupo formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone gravou o ao vivo nos dias 17 e 18 de dezembro, em shows realizados no Palace, em São Paulo.

Era artigo de luxo ter o LP dentre minha roda de colegas da escola. E eu tinha. Ouvia todo santo dia as canções que aprendi a amar ainda criança, na década de 1980. Afinal de contas, o segundo show de que tenho lembrança na minha vida foi o deles, e eu ainda era uma pequena de 6/7 anos (um dia conto essa história para vocês).

O álbum era como se eu pudesse reviver aquele momento mágico, afinal de contas trazia as faixas: "A Novidade"; "Dos Margaritas"; "Vamo Batê Lata" (título do álbum); "Alagados"; "Caleidoscópio"; "Meu Erro", com a incidental "Soul Sacrifice" — aqui um comentário: a guitarra de Herbert, mais a bateria de Barone, alcançam a alma de quem ouve —; "Track Trac"; "Um a Um", de Jackson do Pandeiro (Barone dá um show nessa também); a lindíssima "Lanterna dos Afogados"; a dobradinha "Você/Gostava Tanto de Você"; "O Beco"; "Romance Ideal"; e "Não me Estrague o Dia". O show ao vivo teve a  participação de Fito Paez, a produção de Carlos Savalla e a direção artística de João Augusto. A banda contava ainda com os músicos: João Fera, Eduardo Lyra, Monteiro JR, Senô Bezerra, Demétrio Bezerra.

Como disse ali em cima, o álbum era duplo, e o segundo CD trazia quatro canções gravadas em estúdio. "Saber Amar" foi música da trilha sonora de "História de Amor", de Manoel Carlos, teva a participação de Charly Garcia no piano; "Esta Tarde" tocou muito nas rádios; e "Luis Inácio (300 Picaretas)" era uma denúncia do escândalo - vejam vocês como sempre tem um babado forte na nossa política registrado em canções - conhecido como "Anões do Orçamento". A letra cita nomes e ainda fala sobre parlamentares que detêm concessões de rádios e TVs, algo expressamente proibido pela Constituição. Mas, como já cantava Russo anos antes... "Ninguém respeita a Constituição...". 

Num é mesmo?

Tinha também a MINHA música. Sim, me senti lisonjeada quando a ouvi pela primeira vez, num videoclipe da MTV. Ele, inclusive, venceu o prêmio de melhor do ano na primeira edição do MTV Video Music Brasil (VMB), em 1995. "Uma Brasileira", composição de Carlinhos Brown, gravada pelos Paralamas, trazia como participação especial outro conhecido meu desde quando vivia num "Balão Mágico": Djavan. E o melhor ainda: trazia na letra  "Tatibitate". Não sabia ainda que o significado desta palavra era aquela falinha enrolada das crianças e pensava ser uma homenagem para alguma Tati do Bi Ribeiro. A Tati,  o Bi e  e Tati (risos).

Nessa época, tinha um crush na escola, e ele tinha o apelido de um famoso jogador do Corinthians que também começava com Bi. Pronto, era MINHA música. Do menino levei um fora, a dor de cotovelo curada com uma dose única de "Assim Caminha a Humanidade". O carinho pela canção gravada pelos Paralamas, coproduzida por Carlos Savalla e Liminha (meu produtor xodó, que celebrou idade nova na terça, 5 de maio), permanece até hoje.

Divido ela com vocês aqui, na minha Quinta da Saudade, e aproveito para celebrar Herbert Vianna, que celebrou idade nova no dia 04/05.



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