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Siso lança “O Tombo” e antecipa o álbum Ferro e Fogo com canção sobre memória e resiliência

     

ResiliênciaÚltimo single antes do disco, a faixa chega com videoclipe dirigido por Tatyana Schardong e transforma histórias familiares em narrativa simbólica e musical

Foto: Tatyana Schardong

    O cantor e compositor Siso lançou, dia 29 de janeiro, o single inédito “O Tombo”, última faixa divulgada antes da chegada de seu novo álbum de estúdio, Ferro e Fogo, previsto para lançamento completo em 4 de março. Com sonoridade indie-pop marcada por órgão, bateria e corais, a canção aprofunda o tema da resiliência a partir de memórias familiares e chega acompanhada de um videoclipe exclusivo, dirigido por Tatyana Schardong.

Depois de apresentar ao público os singles “Sabiá Sabiá”, em parceria com Tiê, e “Quebra-Mundo”, composta com Luiza Brina, Siso encerra a sequência de lançamentos que antecedem o disco, que contará com nove faixas autorais, incluindo as três já reveladas. Em “O Tombo”, o artista mineiro conecta sua trajetória na música independente a histórias herdadas de sua própria família.

A principal inspiração da letra vem de um episódio real vivido por Evaristo, avô de Siso. Ainda jovem, no interior da Paraíba, ele sofreu uma queda no meio da mata e perdeu a memória por sete anos. O acontecimento ganhou contornos quase mitológicos dentro da família, sobretudo pelo desfecho inesperado: após um novo tombo acidental, Evaristo recuperou todas as lembranças perdidas. 

“Ele dizia se surpreender ao encarar todo mundo mais velho pela ‘primeira vez’”, recorda o músico, que conviveu com o avô por poucos anos, antes de sua morte na década de 1990.

Segundo Siso, essa não é a única narrativa familiar presente nas entrelinhas da canção. Histórias de quedas e reerguimentos — literais ou simbólicas, trágicas ou mágicas — atravessam sua obra e ajudam a construir o tom de perseverança que marca “O Tombo” e outras composições do álbum.

    Essa dimensão simbólica também orienta o videoclipe. A proposta inicial era acompanhar uma peregrinação, com Siso caminhando pelas ruas do Rio de Janeiro carregando um cesto de maçãs, metáfora tanto do peso do conhecimento quanto dos “pecados” herdados de gerações anteriores. A escolha da cidade dialoga com a história da família do artista, marcada pela migração do Nordeste para o Sudeste. O destino final seria a Igreja da Glória, como símbolo de redenção.

No entanto, ao chegarem ao local, Siso e a equipe encontraram a igreja fechada — um imprevisto que redefiniu o sentido da narrativa. A partir disso, o clipe incorporou novas ações: o artista passa a comer as maçãs, derrubá-las no chão e, em seguida, recolhê-las, gestos que representam integração, revolta, negação e, por fim, acolhimento da própria herança. “É a busca pela redenção que esbarra numa porta fechada”, resume o músico.

Para a diretora Tatyana Schardong, o clipe traduz visualmente os temas centrais da canção: história, geração e religiosidade. “A intenção foi mostrar uma peregrinação real, com cansaço, pausas, perseverança e força”, explica. A linguagem visual alterna enquadramentos de baixo para cima, ressaltando a presença e a resistência de Siso, e de cima para baixo ao chegar à igreja, destacando a grandiosidade do espaço e do confronto simbólico vivido ali.

“O Tombo” marca, assim, o encerramento de um ciclo de singles que funcionou como uma retomada da relação de Siso com o público. Segundo o artista, o processo também apresentou sua música a novos ouvintes, mais conectados à música brasileira do que necessariamente à cena pop ou alternativa. “De certa maneira, ‘O Tombo’ fica no meio do caminho entre ‘Sabiá Sabiá’ e ‘Quebra-Mundo’. As três juntas ajudam a contextualizar melhor o que esperar de Ferro e Fogo”, conclui.



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