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Quinta da Saudade : " Mais fácil aprender japonês em braile..."

 

O investimento que fiz com meu primeiro décimo terceiro salário 
Foto: arquivo pessoal 


Fim de 1999.

Tinha acabado de completar 18 anos e meio, estava no primeiro ano do curso de Letras e já dava aulas de inglês em uma escola. Na outra substituía professores: se me ligavam saía correndo para cobrir os colegas. Criei gosto por ganhar meu próprio dinheiro e assim sustentar um dos meus vícios: a música.

No final daquele ano Djavan lançou um CD duplo ao Vivo em comemoração aos 25 anos de carreira. Já o conhecia desde pequena pois "Superfantástico" era uma de minhas canções favoritas. Edgard Poças, o produtor responsável pelo grupo infantil Balão Mágico levou Djavan para fazer parte do LP que foi recorde de vendas em 1983.

Cresci cantando "Meu Bem-Querer" e " Oceano", além de "Água de Lua" (minha xodó) que conheci na voz de Amelinha. Além de "Lilás"; "Açaí"; "Azul"; "Fato Consumado". Comprar o CD seria uma necessidade ou não tê-lo seria quase um crime.

Até que recebi meu primeiro décimo terceiro. Que alegria. Poder fazer as compras natalinas com meu próprio ganho, fruto do meu esforço. Corri para as lojas Americanas e dei de cara com 2 CDs separados- o duplo estava esgotado. Um vermelho (volume 1) e um azul (volume2) . Qual levaria?

Samurai, (outra música xodó) não estava no álbum azul que  tinha como primeira música "Pétala"- para mim uma das definições mais lindas do que é amor  :"invade e fim".

Cada CD custava R$25,00. Falo do final dos anos 90, quando o salário mínimo valia R$120,00. Mas eu queria tanto que segui meu coração, comprei os dois e fui para a faculdade. Era fim de ano letivo, não tínhamos mais matérias, apenas palestras que valiam como hora/atividade. Neste dia a aula seria no "Bezerrão", apelido pelo qual é conhecido o teatro da Universidade de Mogi das Cruzes. Uma palestra sobre políticas educacionais e práticas pedagógicas com o pró-reitor que falava muito- mais que eu. Sempre fui muito aplicada, mas neste dia Djavan não me deixou prestar atenção: ele pedia de dentro de minha bolsa de crochê com botões de girassol para ser ouvido. Naquela hora.

Discretamente fui ao banheiro, peguei o "discman", coloquei por dentro da roupa. Tirei o fone por trás da camiseta preta- só usava roupas pretas. Como tinha os cabelos cacheados e volumosos não era possível perceber nada. Ouvi os dois CDs, e tive a melhor palestra da minha vida.

Não sobre práticas pedagógicas (essas aprendi no dia a dia em sala de aula). Mas sobre o real sentido de "Djavanear o que há de bom". O show trazia os músicos: João Castilho, Max Viana, André Vasconcellos, Carlos Balla, Marcelo Martins, Paulo Calasans, Walmir Gil e François de Lima. Cecília Spyer, Beth Bruno e Flávia Virgínia eram as responsáveis pelos lindos vocais.

Meu convite hoje é para ouvir comigo uma de minhas favoritas : "Se". Música que meus amigos cantavam para me irritar, devido minha inconstância geminiana. Segundo eles era mais fácil eu aprender japonês em braile do que decidir "SE" ... 





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