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Quinta da Saudade: " A minha voz, a minha luta..."

 


Minha heroína- Marina Silva mostrou essa semana que a voz da mulher é a bússola que orienta e defende seu lugar na sociedade
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil 

"O homem abomina tagarelas

Garota caladinha ele adora!

Se a mulher ficar falando o dia inteiro fofocando
O homem se zanga, diz adeus, e vai embora, não!

Não vá querer jogar conversa fora
Que os homens fazem tudo pra evitar
Sabe quem é mais querida? É a garota retraída!
E só as bem quietinhas vão casar"

Se você é nascida nas décadas de 1980 ou 1990 com certeza leu essas estrofes cantando não foi? Dá uma conferida  aqui ...

É um trecho de " Pobres Corações Infelizes", interpretada pela diva Zezé Motta, na versão do desenho "A Pequena Sereia" da Disney. O preço a pagar para se tornar humana por 3 dias para "fisgar" o coração do príncipe, segundo Úrsula, a bruxa do mar, seria dar a ela sua bela voz. Sem a voz, teria seu "homem". Esse desenho me veio na cabeça enquanto me divertia com a "trend Mermaid", feita por Inteligência Artificial no Tik Tok. Achei até graça na minha versão Sereia, com direito à trilha de Lulu e Nelson Motta, até que parei pra pensar na história da Disney...

O preço para se conquistar um homem para a jovem seria dar o que Ariel, a sereia,  tinha de mais lindo : sua essência, sua liberdade e sua voz. É o canto da sereia que faz com que ela seja única e hipnotize a todos. Minha viagem pelo mundo da fantasia acabou ao me deparar no mesmo feed repleto de figuras mitológicas, os vídeos de Marina Silva tendo de defender o direito de usar sua voz, e de ser respeitada como mulher e como ministra. Ouvindo de "homens" de que teria de se colocar em seu lugar. 

Mas qual o lugar da mulher?

O de quem cala sua voz para ser aceita por todos? 

O lugar de  quem aceita que decidam seu destino com sofreguidão e resiliência sem abrir a boca?

 O de quem abre mão de ter um cargo importante ou um salário alto para não ofuscar o brilho do parceiro?

 O lugar da Amélia, que era mulher de verdade?

 Ou de quem aceita violências verbais, físicas, patrimoniais e psicológicas sem se defender?

Pois eu prefiro ser a mulher que canta os versos da música das meninas da Souela, grupo de Limeira, que ano passado lançou "Nossa Voz", que diz que em cada canto tem uma mulher e ela vai falar.

E é pra agosto de 2024, data em que o single foi lançado que levo vocês. Sigamos o exemplo de Marina Silva. Minha sereia heroína, que não precisa de perder sua voz para agradar homem algum.




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