O acaso promove encontros que a lógica não consegue explicar. A música, por sua essência, gosta de dar uma mãozinha ao acaso e unir pessoas que vibram na mesma frequência: a de poder tocar o outro pela arte. Foi após o fim de um show de Gabriel Guedes, em Brasília, que a cantora e compositora brasiliense Clara Telles conheceu o trabalho do mineiro e, numa conversa, perceberam ter várias coisas em comum: ambos são filhos de compositores muito conhecidos no mundo da música e compartilham os mesmos objetivos, que é levar adiante a herança musical que receberam dos pais. O público da capital poderá conferir o resultado desse encontro no dia 20 de março, às 20 horas, no Teatro da Casa Thomas Jefferson, no show "Vanguardas e Outras Esquinas".
"A ideia do show foi muito orgânica. Tenho muito em mim essa questão de fazer músicas em família, porque cresci aqui com meu pai (o músico e escritor Aloísio Brandão); minha mãe canta também, então sempre gostei de cantá-los, cantar as composições do meu pai. Estou gravando um disco novo este ano com todas as músicas de autoria dele. Quando vi Gabriel cantando também as músicas do pai dele, falei: ‘Olha, temos muitas heranças para cantar’. Como falo para as pessoas: posso não ter todo o dinheiro do mundo, mas a minha riqueza é a minha herança, que é a minha arte. Acho que a gente se encontra nessa ideologia de que partes das nossas heranças culturais são nossas riquezas e, a partir delas, conseguimos produzir e criar. Muito dos nossos trabalhos autorais também têm essas assinaturas, e acho que nossas linguagens se encontraram. Um reconheceu o outro", conta Clara.
Após trocas de mensagens, os artistas trocaram suas músicas pelo WhatsApp, percebendo então que poderiam, a partir dali, unir canções e produzir o show que os brasilienses poderão conferir como um presente na noite do espetáculo. "Vanguardas e Outras Esquinas" traz no repertório os clássicos do "Clube da Esquina", mais as canções da MPB de vanguarda, além de músicas autorais de Clara e Gabriel. Para eles, essas músicas fazem parte de suas vidas de maneira natural, acompanharam todas as fases desde a infância.
"Não me lembro da primeira vez que ouvi ‘Clube da Esquina’, porque acho que nasci ouvindo. Não consigo me lembrar quando ouvi pela primeira vez as coisas que mais amo, por exemplo, Clube da Esquina, ou Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil. É uma memória tão antiga, tão originária, que está comigo desde antes de nascer; eu me entendo por gente já ouvindo essas coisas. Lembro-me de músicas específicas que me levam para lugares de cheiros, locais da infância. É muito curioso, porque minha mãe fala que todo o Clube da Esquina fez parte da adolescência dela, era uma das coisas que ela mais ouvia", lembra a cantora.
Gabriel, por sua vez, nasceu dentro do Clube da Esquina. Filho de Beto Guedes e afilhado de Milton Nascimento, cresceu ouvindo e bebendo diretamente da fonte de criação do movimento que inspirou - e ainda inspira - músicos brasileiros de todas as gerações.
"Eu me lembro de que, quando era criança, sempre que os amigos do meu pai lançavam um disco, ele chegava lá em casa. Sempre houve vinil, e eu ficava ouvindo de tabela, porque eles ouviam em casa, e eu manuseava as capas. Lembro que uma capa pela qual, desde criança, tenho muito carinho é a de ‘Nuvem Cigana’, do Lô Borges, porque tem uma arte do Gilberto de Abreu, um desenho tão lúdico, e sempre foi uma coisa muito afetiva", conta Gabriel.
A dupla contará no palco com os músicos Gabriel Lourenço, Jeff Belarmino, Stive Marta e a participação de Luiz Duarte. A entrada é gratuita.
Serviço
"Vanguardas e Outras Esquinas" com Clara Telles e Gabriel Guedes
Quando: 20 de março de 2026 (sexta-feira)
Horário: às 20 horas
Onde: Teatro Casa Thomas Jefferson, 706 Sul, Brasília-DF
Entrada franca
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