Minha Carne é de Carnaval - O primeiro trio desta turma que misturava sons e pregava a paz e o amor, muito antes de Bad Bunny
Fotos :feitas por mim do Livro Caí na Estrada com os Novos Baianos de Marília Aguiar
" Era uma vez uma tribo, brincando de paz e amor, enquanto o homem levava à lua o seu disco voador. Nem todos eram baianos. Mas todos Novos Baianos, gerando ser, unindo arte e viver!"
Não, este texto não é meu. Se chama "Anos 70" e é do poeta Luiz Galvão, falecido em 2022. Ouvia esta música- e outras mais- no sábado quando tive a paz interrompida pela guitarra de Pepeu Gomes. Aqui, largada no sofá pensei: que guitarra é essa?
Luiz Maurício, meu coração é da tua guitarra, mas não posso deixar de dizer o quanto a de Pepeu me deixa desestabilizada. Dá um "tilte" no meu cérebro, desde muito pequena, quando ganhei um compacto com "Luminosidade" de um lado e "Feliz pro Ano Inteiro" do outro, coisa que já contei aqui. Abri o aplicativo do Instagram e Davi Moraes tinha acabado de postar o aniversário de Gomes. Coincidência, ou não a guitarra já estava me cutucando nos ouvidos. Mas, enquanto ouvia o álbum Infinito Circular, voltei para 1997, ano em que foi lançado.
Quem me acompanha aqui, sabe que sou Novos Baianos F.C desde muito pequena. Baby, Pepeu, Moraes, Paulinho Boca, Didi, Dadi, Jorginho Gomes e o poeta Galvão estavam constantemente no toca discos de casa, seja como Novos Baianos ou em participações em músicas infantis. "Acabou Chorare" sempre foi minha companhia de discman, assim como o acústico de Moraes, álbum pelo qual tenho um apreço imenso.
No fim dos anos 1990, essa tribo, que pregava paz e amor e misturava ritmos brasileiros com o bom e velho rock, lançou o duplo ao vivo "Infinito Circular", com vinte músicas, muitas delas conhecidíssimas do repertório do grupo como "A Menina Dança", " Acabou Chorare", "Um Bilhete para Didi", "Dê um Rolê", " Besta é Tu", " Com qualquer dois Mil Réis" e "Tinindo Trincando".
Nesta última Baby dá um show de interpretação, como no álbum todo. Era uma época em que ela cantava ser "fé em Deus, e pé no mundo". Eu, menina, adolescente, ainda tinha o sonho de cantar, minhas referências eram grandes . Pensava música deve ser isso. Cantar paz, amor, música brasileira e rock and roll.
Virou meu CD xodó, carregado para todos os cantos. Ainda o é. Quando as notícias dos jornais só mostram tragédias, e tudo fica pesado, revisito as mensagens deste grupo que pregava que a a razão da vida era amar. Volto ao centro do meu Infinito Circular.
Como estamos na véspera do Carnaval, e minha carne e meu coração são iguais, aqui na minha Quinta da Saudade vou dividir com vocês o pot purri "Na Cadência do Samba" (Ataulfo Alves, Paulo Gesta e Matilde Alves) ; "Brasil Pandeiro" (Assis Valente) , e "Samba da Minha Terra" (Dorival Caymmi).
Pra terminar o texto uma cutucada na nova geração: ao invés de criar hits chicletes e sem nexo pros carnavais, que tal revisitar esses gênios e perpetuar a história de nossa Música Popular Brasileira?


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