Pop Coração - dupla que há 45 anos navega as ondas das rádios, das redes conquistando gerações e gerações
Foto Lulu/Nelson: Leo Aversa
Foto da foto: Tati Valente
"Foi na adolescência que me apaixonei por um tal Luiz Maurício que me abriu a porta para nomes como Jorge Mautner, Beatles e o maravilhoso mundo de Nelson Motta com Elis e o canto da sereia Marisa Monte." ( Recomeçar, primeiro texto do Falando em Sol, publicado em 28/10/2020)
Como podem ler, foi de minha paixão por Luiz Mauricio que conheci o maravilhoso mundo de Nelson Motta. Algo controverso, porque toda terça, se não me falha essa memória, que já sofre os efeitos da perimenopausa, Motta tinha uma coluna no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, e eu sua leitora assídua.
Sempre gostei de ler, cresci ouvindo do meu pai: leia o que é do seu interesse, mas leia. Música sempre foi minha grande paixão, portanto ler quem escrevia, produzia e tinha "sede de som", era mais que um prazer. Mais delicioso ainda, depois que vi que o jornalista era parceiro do meu crush - na época ainda não se chamava assim, era ídolo- o que deixava o sentimento ainda mais pecaminoso, afinal, os mandamentos bíblicos diziam :" Não terás outros ídolos diante de mim".
Mas, a culpa de tal pecado ficava pequenininha diante o fascínio que a guitarra de Lulu me provocava. Os textos de Nelson cutucavam mais ainda essa curiosidade por seu maravilhoso mundo de mar e som. Sabem aquela sensação de estar na praia, observando as ondas e elas te chamarem?
Era sobre isso. Eles "me chamavam". Na dança do ventre chamamos o movimento de "chamar com as mãos" de "vem, meu bem". Os piratas me chamavam, e eu ia pra caravana afim de cruzar o deserto junto deles.
Dia desses uma página do Instagram publicou um trecho de "Como uma Onda", e a creditou apenas à Lulu. Eu, que estou ficando velha e chata, fui lá e comentei: "põe o Nelson Motta aí também". Tive como resposta: "Boa".
Boa? Boa?
Não é boa. É mais que obrigação.
É como separar o Yin do Yang. Separar a Letra da Melodia. Separar Lulu e Nelsinho de obras que fazem a história da música popular brasileira há 45 anos (gente minha idade). Nelson disse em seu Instagram em post publicado essa semana: a dupla sertaneja. Eu diria, dupla popneja, afinal de conta no peito deles bate um "pop coração". Para saber com riqueza de detalhes como se conheceram, indico para vocês o livro"Noites Tropicais", mas já adiantando aqui, a música quando quer se manifestar une pessoas usando o acaso como desculpa esfarrapada. Ou,neste caso, usou um musical, de nome Feiticeira, estrelado por Marília Pera.
Feitiçaria ou não, depois deste encontro, eles, piratas do sonho decidiram viver inúmeras aventuras nos sete mil oceanos. De um paulista e um carioca nasceram os clássicos : "Tesouros da Juventude", "Areias Escaldantes", "Certas Coisas", "Tudo", "Palestina", "Sirigaita", "Tudo Azul", "Atualmente", "Eu Não", "Dinossauros do Rock", "De Repente", "Sereia", "Deusa da Ilusão", "Outro Papo", "Pop Coração", "De Repente Califórnia" e o primeiro a virar hit, nas ondas do rádio:" Como uma Onda".
Toda vez que estou no show do Lulu e o ouço, pedindo para que cantemos em nossas vozes a mesmíssima canção, que diz que "Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", morro de vontade de saber o que passa em sua cabeça enquanto observa seu público. Será que se lembra do músico iniciante, cheio de contas pra pagar, com esposa e três filhos, e tem de novo a emoção de ouvir seu primeiro hit, com o parceiro, ecoar nas ondas do rádio, desta vez vindo de um mar de pessoas?
Só ele um dia poderá nos contar.
Tenho a absoluta certeza, de que naquele momento só existe o pensamento de gratidão ao "brother", companheiro de aventuras nos mares das canções.
Hoje, esta aspirante a Sereia, mais que atrapalhada, decidiu fazer uma homenagem pra dupla. Divido com vocês a canção lançada em 1983, no álbum "O Ritmo do Momento" pela dupla "popneja" Lulu Santos e Nelson Motta: "Como Uma Onda".
P.S: Lulu, tava pensando aqui...please traz uma nova com Nelsinho no seu novo álbum.
P.S 2 : todo álbum seu traz uma faixa instrumental. Minha clave é sol, por isso o nome do blog é Falando em Sol (Fá, la, do, mi menor e sol). Que tal uma faixa repleta de solos de guitarra, aqueles que me arrepiam, de nome "Solando em Fá", hein, barítono? rs

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