Pular para o conteúdo principal

Bruno Marcucci lança em forma de álbum a poesia da sombra que antecede a Luz


Luz- a foto da capa do álbum "Antes da Luz", feita na sala da mãe do músico, e abaixo, em ação, na banda da cantora e compositora Ana Cañas, na companhia dos instrumentos cúmplices da vida do músico paulistano
Fotos: arquivo Bruno Marcucci



    Cada nota musical carrega, em sua forma e cor, um tempo de duração. A semibreve, que se parece com um círculo branco, tem uma duração longa, enquanto a semínima, um círculo preto com um traço longilíneo, tem um quarto do tempo da semibreve. Quando elas se juntam a outras notas de diferentes durações em uma partitura, tornam-se frases musicais. Para o músico, é, em forma de imagens, a expressão de um evento chamado inspiração: os sentimentos, as histórias vividas por ele, um amor, o nascimento de um filho e, muitas vezes, o reflexo de sua alma. Assim nasceu Antes da Luz, álbum do pianista, tecladista, professor e compositor paulistano Bruno Marcucci, disponível em todas as plataformas desde o dia 18 de março.

“O álbum ganhou força principalmente depois do nascimento do meu filho, como uma necessidade latente de deixar uma memória, um registro. Mas a ideia de ter um disco autoral vem de muitos anos, e conflita com a carreira de todo músico acompanhante: o tempo para dedicar à própria expressão artística versus os trabalhos com outros artistas, que tomam esse tempo. A chama realmente se acendeu em 2025, e a inspiração veio principalmente da necessidade de transmitir meu olhar ao próximo (filho) sobre como é necessário e belo o caminho da iluminação de nossas sombras, quaisquer que sejam elas”, conta o músico, que reflete ainda sobre a importância do álbum e a beleza do processo da criação musical.

"Antes da Luz é exatamente isso: a beleza do processo, a sombra sendo abraçada para caminhar junto da iluminação. Afinal, não há sombra sem luz. O disco se tornou, para mim, uma jornada espiritual de conexão com o ser. É o olhar para dentro, sentindo as dores ou profundidades da vida, mas com um olhar amoroso, de compaixão, autocuidado e amor-próprio, descobrindo a beleza no processo complexo que é a evolução do ser. A ideia do disco, falando das faixas, é ir profundo, lidar com os atrasos, boicotes e sabotagens que fazemos a nós mesmos, conhecer as limitações, encontrar proteção, brincar, se machucar, subir, pular sobre os muros, entender os padrões repetitivos de comportamento como se já tivéssemos passado por eles e começar a vê-los de forma diferente, enxergando brechas que nos abrem outras portas. A partir daí, começamos a encontrar um pouco de paz e leveza, como uma brisa que nos acalma gentilmente e precede a grande mudança, que é a atitude junto à clareza. É a faísca que acende a chama da transformação definitiva."

Bruno, que se divide entre o estúdio, o ensino de teclado e piano e os palcos, onde integra a banda da cantora Ana Cañas , teve seu primeiro contato com o piano aos onze anos, sob a influência da mãe, que tocava música erudita. Quando menino, observava o passeio das mãos maternas sobre as teclas e fazia muitas perguntas, o que a levou a matriculá-lo nas aulas do instrumento.

"Iniciei em conservatório aos 12 anos e me formei técnico em piano erudito aos 21. Em paralelo, comecei a ter banda e a trabalhar com música popular por meio do teclado a partir dos 16 anos. Também tive contato com o violão, mais autodidata, pois era muito comum, nos anos 90, tocar e cantar na rua com os amigos. Mais tarde, completei minha formação em bacharelado de piano popular", lembra o músico, cuja maior influência foi a música instrumental.

"Desse contato que tive em conservatório com os grandes compositores eruditos Bach, Beethoven, Chopin, Debussy, Ravel, Grieg, Satie, entre tantos outros, e depois na música mais improvisada, como o jazz (Miles Davis, Brad Mehldau, Herbie Hancock, Keith Jarrett, etc.), fusion e música brasileira instrumental (João Donato, Hermeto Pascoal, Moacir Santos, Zimbo Trio, etc.), nas bandas tive grande influência do reggae, rap, MPB e pop rock. Mais recentemente, comecei a mergulhar e revisitar a ambient music e a música minimalista, que conversam bastante com o disco. Nomes como Nils Frahm, Brian Eno, Ryuichi Sakamoto e Philip Glass", diz Marcucci, que vê no instrumento ainda um grande companheiro de vida.

"Acredito que o piano reflete um irmão para mim, desses muito sinceros e, ao mesmo tempo, acolhedores. Me mostra quando não estou pronto, me dá disciplina, é exigente, permite que eu tenha sensibilidade para me expressar, me deixa desabafar, tem cumplicidade. É um processo terapêutico de autoconhecimento e habilidade, que sempre refletiu meu lado sensível e me traz paz. Acho que o principal que o piano reflete de mim é o saber que entendê-lo é um processo sem término, mas prazeroso, assim como o autoconhecimento", conclui.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Para Lô...

    No dia de hoje nem tenho o que dizer ou escrever ao certo. Só sei que aprendi essa canção de Salomão Borges Filho ainda na infância, e já me tocava o trecho em que ele cantava: " se eu morrer não chore não, é só a lua..." Sim, foi a lua. Agora sei que te encontro lá toda vez que ouvir sua obra. Achei este registro de 2023, num dia que essa música estava na minha cabeça, pedindo para ser cantada. Ao mesmo tempo um bem-te-vi no muro começou a cantar. Nem ele resistiu à beleza de "Um girassol da cor do Seu Cabelo". Vai em paz Lô... Obrigada por tanto.

Go Back 80's celebra os 40 anos do Rock Brasil

    Rock Brasil - A Go Back 80's se apresenta no Clube do Choro  de Brasília nesta terça-feira levando o rock brasileiro da década de 80 para o público brasiliense                                  Foto: Estúdio Laborphoto      A década de 1980 foi determinante para a música brasileira. Foi neste período que surgiram as bandas de rock que fizeram história e firmaram o estilo musical no nosso país. Para homenagear os 40 anos do rock brasileiro, cinco músicos se reuniram para levar o bom e velho rock para todos os cantos. Nessa terça-feira, 10 de setembro, às 20 horas, a Go Back 80's se apresenta no Clube do Choro de Brasília com o show "40 anos de Rock Brasil". "A banda Go Back está em turnê pelo centro oeste, onde trás o show "40 anos de rock Brasil uma seleção de músicas e artistas que consagraram e edificaram esses estilo musical no Brasil. Uma forma de homenagem a este ...

Centenário Inezita Barroso

  Centenário - pesquisadora de nossa cultura popular, Inezita reunia gerações em seu programa exibido todos os domingos pela TV Cultura Foto: Reprodução Itaú Cultural Ontem, dia 4 de março, foi celebrado o centenário de uma mulher, que enquanto esteve aqui, neste plano, viveu por e para a música brasileira: Inezita Barroso. Conhecida como  a "D ama da Música Caipira", por trinta anos  abriu as portas de seu programa Viola, Minha Viola, exibido pela TV Cultura, para receber artistas da velha e nova geração.  Nascida Ignez Madalena Aranha de Lima no ano de 1925 na cidade de São Paulo adotou o sobrenome Barroso do marido. Foi atriz, bibliotecária, cantora, folclorista, apresentadora de rádio e TV.  Segundo a neta, Paula Maia publicou em seu Instagram, foi uma das primeiras mulheres a tirar carteira de habilitação e viajou por todo país para registrar músicas do folclore brasileiro.  Recebeu da Universidade de Lisboa o título de honoris causa em folclore e art...