Não gosto da função de crítica musical.
Quando eu escuto algo e não gosto, simplesmente não ouço mais. Você aí do outro lado pode até me dizer, "ah Tatiana, sua função como jornalista musical seria comentar os lançamentos, indicar, ou não dependendo de suas impressões". Sou da opinião de que o apreciar ou não um trabalho musical é totalmente subjetivo e, uma vez que tenho um meio de comunicação lido no mundo todo -cara, tem dias que confiro onde o Falando em Sol é lido e me assusto - vejo que minha responsabilidade é imensa. Ainda mais porque envolve sonhos. Prometi a mim mesma, não abro mão disso, que se pudesse dar ao próximo o apoio que não tive, não seria aquela que diminuiria a música alheia.
Mas, este álbum me conquistou desde a primeira faixa, e vim aqui hoje, fazer as vezes de crítica musical para comentar "EQUILIBRIVUM", da nossa diva Anitta. Ouso dizer - ouso, porque não tenho a mesma importância no jornalismo musical que Mauro Ferreira, Nelson Motta, Julio Maria, Carlos Bozzo Junior, Sarah Oliveira ou Roberta Martinelli- que este é o maior trabalho da carreira da garota de Honório Gurgel.
Vi e ouvi a essência da artista. Quem é, sem artifícios para atingir os milhares de números ditatorialmente comandados pelos algoritmos. EQUILIBRIVIM mostra a fé em forma de arte. Óbvio que é alvo de críticas repletas de juízos de valores e preconceituosas, que a acusam de "abrir portais", fazer pactos, de representar o mal. Na obra, Larissa de Macedo Machado é ela mesma, sem as vestes da super star internacional, até mesmo porque ela não precisa disso. Traz a cultura brasileira em sua verdade, com os afro-sambas, sua religiosidade, e seus ritmos. Aceitem que com certeza irá doer menos: somos frutos do sincretismo religioso, e o álbum ganhará muitos prêmios e levará esta face do Brasil para o exterior.
Anitta traz ainda convidados especiais da nova geração da música popular brasileira como Marina Sena, Liniker, Luedji Luna, Melly, Os Garotin, Ebony, Ponto de Equilibrio, Ricon Sapiência. Como se pegasse na mão desses novos artistas e dissesse para o mundo, e pro mercado internacional: nós mandamos nessa coisa toda (usei coisa pra não usar o que provavelmente a "Poderosa" diria, rs).
Uma proposta minha: ouçam o álbum, se dispam de preconceitos e entendam de uma vez por todas algo oque Vinícius de Moraes, Baden Powell, Clara Nunes, Aldir Blanc, João Bosco, Zeca Pagodinho e tantos outros artistas tentaram mostrar. Pra fé não se pode ter preconceitos. Para música também não.
Sendo assim, trago aqui cinco motivos para que ouçam o lançamento de Anitta.
"Meia- Noite" tem toda aquela atmosfera de músicas de terreiro, batuques misturados ao eletrônico . Em sua letra a cantora brada a mulher independente, que não aceita que mandem nela, não a seguram em casa, e afirma: "meia-noite eu vou sair". Com o canto, Anitta liberta e representa milhares de gerações de mulheres que viveram presas. A letra traz elementos usados nos rituais de religiões afro-brasileiras como a pemba ou a pimenta.
"Deixa ela passar. Respeita!"

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