O que é o brasileiro senão uma mistura de raças, crenças, ideologias, culturas e ritmos?
Essa miscigenação é um fator que diferencia a cultura popular brasileira: um reflexo da identidade cultural de um povo, de suas vivências e histórias. Danças afro-brasileiras como umbigada, capoeira, samba de roda, maculelê, maracatu e jongo são partes da nossa identidade cultural.
Trazer à tona nossa ancestralidade e, de alguma forma, dar uma sobrevida aos ritmos que fazem parte de nossa formação motivou o nascimento do single “O Tambú”, do músico e compositor paulistano Paulinho Du Carmo, que estreou ontem em todas as plataformas de música, com distribuição da Tratore. A faixa é o primeiro lançamento do álbum “Cateretê Groove”, um projeto do artista com a esposa, produtora e empresária Márcia Zirondi.
“O álbum Cateretê Groove nasceu da vontade e da necessidade de resgatarmos os ritmos regionais da nossa região (Rio Claro, SP), como o cateretê (catira) e o batuque de umbigada, e misturá-los com rock, maracatu, ciranda e outras influências universais, numa visão contemporânea. Esses ritmos, muito difundidos no passado, encontram-se quase esquecidos nos dias atuais, e sua utilização neste novo contexto visa preservar a nossa ancestralidade”, conta o músico, que lembra ainda de sua fonte de inspiração, o pernambucano Chico Science, falecido em fevereiro de 1997.
“Esse álbum é 100% inspirado em Chico Science e em suas palavras, quando ele menciona a possibilidade de misturar sons e ritmos valorizando a cultura local e o Brasil”, completa.
Francisco de Assis França, ou Chico, como era conhecido, foi líder do movimento manguebeat, que surgiu nos anos 1990 unindo coco, maracatu e ciranda ao rock, rap, funk e música eletrônica - mistura eternizada nos álbuns “Da Lama ao Caos” e “Afrociberdelia”, do grupo Nação Zumbi.
Paulinho Du Carmo traz, no projeto Cateretê Groove, a mesma essência de perpetuar e divulgar a cultura popular do Sudeste. Paulistano criado em Rio Claro, em suas composições funde o rock e a música negra americana às raízes do cateretê e do batuque de umbigada.
Nos anos 1980, integrou a cena underground e, nos anos 1990, sob influência do manguebeat, compôs “O Tambú”, canção lançada ontem. Após passar pela MTV e lançar o álbum “Ponto de Partida”, no Rio de Janeiro, com Arthur Maia, Paulinho retornou às suas origens, em 2023, com a missão de resgatar a ancestralidade regional por meio de uma sonoridade contemporânea, unindo tambores, poesia e dança.
Além de Du Carmo, na voz e guitarra, participaram do projeto os músicos Anderson Rosseti (contrabaixo elétrico e sampler) e Ricardo Barros (caixa, alfaia e percussão).
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