Ontem mesmo, enquanto sacolejava no ônibus no meu trajeto de volta, pensava no que escreveria aqui no blog a respeito da data, até me lembrar de que hoje é dia de #tbt. Tatiana Valente é um baú de saudades com trilha sonora. Foi impossível não me lembrar de como o choro entrou de vez em minha vida. Para mim, o único conhecimento que tinha sobre o estilo musical era o que acontecia na Barbearia do Seu Julinho. O saudoso senhor Julio Pedro Borba era dono de uma barbearia no Shangai, em Mogi das Cruzes, que reunia, todas as quintas-feiras, amigos para uma animada roda de choro, frequentada por praticamente todos os atuais mestres do choro da cidade.
Logo que comecei a trocar e-mails com meu oráculo musical a respeito de música, ele me contou que trabalhava na produção de shows de choro em uma conhecida casa de espetáculos na capital do país e que alguns deles eram transmitidos pela TV Senado ou Câmara, se não me falha a memória.
Lá fui eu, uma menina de vinte anos, cantora de coral e amante da música, conferir pela TV os shows de choro, normalmente aos domingos. Ali vi mestres como Moraes Moreira, Armandinho, Sivuca, e, a cada fim de semana, ampliava o meu repertório musical. Em certo dia, um menino - chamo assim porque me surpreendeu por ser da minha idade - chamado Hamilton de Holanda se apresentou, tocando clássicos do choro. Dentre eles, alguns de Waldir Azevedo, e um chamado “Pedacinhos do Céu” ganhou meu coração. Não sei explicar para vocês, mas entrou pelos ouvidos e fez um carinho no coração.
Virou meu choro xodó e me faz chorar toda vez que o escuto. E foi a trilha de um momento surreal que me aconteceu.
Em 2022 (vinte e um anos depois), fui ao Cemitério do Pedregulho fazer uma matéria sobre a homenagem ao músico Dilermando Reis (leia aqui). Todos os anos, chorões de Guaratinguetá se reúnem em frente ao túmulo do músico para lembrar sua vida e obra. Conversando com o produtor e guardião das histórias de Reis, José Boele, ele me apresentou aos músicos convidados do Clube do Choro de Taubaté e confidenciei meu amor pela obra do compositor carioca. Fui surpreendida com uma homenagem logo no começo da roda de choro. Embora a homenagem fosse para Dilermando, os músicos, empolgados por esta fã, me presentearam com a canção de Azevedo e Miguel Lima de Mattos.
Sorri para ela, recebendo um aceno e uma piscada de volta. Capturei o vídeo abaixo e, quando voltei os olhos para o túmulo, ela não estava mais lá. Nem em lugar algum.
É... creio que, naquele dia, as almas no cemitério tiveram um pouquinho da magia e alegria que só o choro traz.
Hoje, 23 de abril, em comemoração ao Dia do Choro, minha quinta da saudade divide com vocês, pelos músicos do Clube do Choro de Taubaté, a canção lançada no ano de 1951. Dedico ao meu O.M. e o agradeço por ter me apresentado “Pedacinhos do Céu".

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