A musicista, cantora e compositora portuguesa Rita Braga lançou no dia dois de abril seu novo álbum, Fado Tropical, disponível nas principais plataformas digitais e também em vinil em Portugal. O trabalho marca um momento importante em sua carreira: é o quinto disco da artista, mas o primeiro cantado integralmente em português.
Produzido pela própria Rita em parceria com Pat Oak, o álbum conta ainda com mixagem de Suse Ribeiro e masterização de Yan Hart-Lemonnier. O lançamento chega após a turnê do disco Illegal Planet, que percorreu Portugal em 2024 e despertou na artista o desejo de mergulhar nas raízes do fado.
Acompanhando o lançamento, Rita Braga também apresenta o videoclipe de “Cinza e Pó”, sexta faixa do álbum, que traz a participação especial de Paulo Furtado na guitarra. A música evidencia o tom experimental do projeto, que propõe uma releitura contemporânea do gênero tradicional português.
“Neste trabalho eu atravesso os primórdios do fado, conduzindo-o a novos territórios sonoros. Um trabalho arrojado, repleto de surpresas e colaborações especiais”, afirma Rita.
Sem abrir mão do respeito à tradição, a artista explora novas possibilidades sonoras ao incorporar elementos da música eletrônica, surf rock e neo jazz ao universo do fado. A proposta estabelece um diálogo entre o passado e o presente, ampliando os horizontes do gênero.
A conexão com o Brasil também se faz presente no álbum. Em janeiro, Rita lançou o single “Chão de Estrelas”, clássico da música brasileira composto por Silvio Caldas e Orestes Barbosa, em parceria com JP Simões. A releitura antecipa o conceito de Fado Tropical, que dialoga com a teoria de que o fado teria raízes no Brasil antes de se consolidar em Lisboa.O álbum reúne 11 faixas, entre composições autorais e obras de outros poetas e compositores. Para construir o repertório, Rita realizou uma extensa pesquisa histórica:
“Levantei arquivos sonoros, imagens, textos e partituras de fado que datam do século XIX às primeiras décadas do século XX. Então, para dar nova vida a esses materiais, mesclei o fado antigo com variados gêneros musicais para chegar a algo novo”.
Entre os destaques estão “Um Quarto de Hora” e “Cinza e Pó”, que trazem letras inéditas de fadistas do século XIX, encontradas em obras raras como História do Fado (1903) e A Triste Canção do Sul (1904). As faixas ganham novas roupagens: a primeira dialoga com uma marcha funerária, enquanto a segunda evoca atmosferas sombrias que lembram o universo de Tom Waits.Gravado com uma formação instrumental diversa, o disco conta com Bruna Moura, Ryoko Imai, além de João Cabrita e Aníbal Andrade. Participam ainda Tó Trips e o próprio Paulo Furtado nas guitarras.

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