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Guilherme Ribeiro lança EP inspirado nas raízes da música brasileira

    


Tradições- músico paulistano, residente em Jundiaí resgata sonoridade  e brasilidade em Bodoque requer traquejo, lançado ontem em todas as plataformas
Foto: Jack Milani



    Um trabalho de pesquisa musical aliado à sensibilidade artística marca o lançamento de “Bodoque Requer Traquejo”, novo EP do acordeonista, pianista, compositor e arranjador Guilherme Ribeiro. Atualmente radicado em Jundiaí, o músico apresenta um projeto que traduz para quem ouve, no movimento delicado do acordeon, influências profundas da tradição musical brasileira, herdeira do maxixe e do choro eternizados por Chiquinha Gonzaga.

O EP representa um momento de maturidade na trajetória do artista, reconhecido por sua atuação em diferentes formações musicais e apresentações em palcos internacionais. Desta vez, Guilherme concentra sua pesquisa no acordeon solo, transformando o instrumento em espaço de investigação estética, síntese artística e afirmação de linguagem.

Distante de qualquer abordagem nostálgica simplificada, “Bodoque Requer Traquejo” nasce de um mergulho aprofundado nas possibilidades tímbricas, rítmicas e expressivas do acordeon, atravessado por uma escuta atenta das tradições populares brasileiras. O resultado é um trabalho que equilibra rigor técnico e densidade poética, revelando um artista que alia elaboração musical e experiência vivida.

O título do álbum também carrega simbolismos. “Bodoque”, referência ao estilingue típico das infâncias do interior, remete a memórias afetivas, à relação com a paisagem e ao encontro entre o rural e o urbano. Já a expressão “Requer Traquejo” aponta para o domínio técnico e o refinamento artístico necessários ao fazer musical. O EP reforça a ideia de que tradição e pesquisa caminham juntas como partes complementares de uma linguagem contemporânea profundamente conectada à experiência brasileira.

O trabalho reúne cinco faixas para acordeon solo: “Bodoque”, “Borocoxôxo”, “Cois qui esse?”, “Assim, de chofre!” e “Viravento”. As composições transitam por gêneros como forró, choro, polca e baião, não como simples referências, mas como territórios de experimentação sonora. Em cada peça, melodia, harmonia, ritmo e textura se entrelaçam, evidenciando anos de estudo e prática e proporcionando ao ouvinte uma forte sensação de brasilidade.

O projeto foi realizado com recursos do Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do edital 17/2024 de Chamamento Público 01/2024 da Prefeitura Municipal de Jundiaí, destacando a importância das políticas públicas de incentivo à cultura para o fortalecimento da música instrumental e das pesquisas artísticas no Brasil.



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