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Terça da Resenha : " Todo mundo no Rio (ou fora dele) com a Shakira"

   


Emoção- o registro feito por meu pequeno ao mesmo tempo em que pulava ao som de Waka Waka, no show exibido pela Rede Globo no sábado, 2 de maio
Foto: Luiz Antônio Valente


 “Não é novidade que sou Shakira FC desde que éramos adolescentes. Sim, caro leitor, caso clique no nome da cantora colombiana logo abaixo verá que acompanho a trajetória dela desde quando era uma menina de Pies Descalzos, álbum lançado no ano de 1995. Não fui para o Rio de Janeiro, a vontade era imensa, mas acompanhei, junto de meu filho caçula, fã confesso da diva, o show do sábado, 2 de maio, pela Rede Globo.

Primeiro, gostaria de fazer um elogio às jornalistas Kenya Sade e Ana Clara pela forma como seguraram com maestria o atraso da estrela. Depois de discorrerem sobre a trajetória da artista por mais de uma hora, entre entrevistas com o divertidíssimo Milton Cunha e outros repórteres que circulavam entre os fãs, comunicaram um problema pessoal como motivo da demora do início do show, revelado alguns minutos depois pela mídia digital: o pai da cantora havia sofrido um AVC. Antes, tinha brincado com meu filho: acho que ela viu a multidão pela sacada do Copacabana Palace e teve um desarranjo.

Após o belíssimo show de drones no céu de Copacabana, o cenário de LED, parte integrante do espetáculo, anunciou a contagem regressiva para o início do show, que durou duas horas e meia. Shakira trouxe o show da turnê Las Mujeres Ya No Lloran, incluindo no setlist hits como “La Fuerte”, “Girl Like Me”, “La Bicicleta”, “La Tortura”, “Loca” e seu primeiro grande sucesso, “Estoy Aquí”, totalizando cerca de trinta músicas. Conhecedora delas, senti falta de ouvi-las na íntegra: muitas foram apresentadas apenas em trechos, não completando nem um minuto da canção, como ocorreu com o primeiro hit que estourou nas paradas de sucesso brasileiras.

Shakira conta no palco com banda, a quem dá muitas vezes o protagonismo do show, além do corpo de baile, e duas das bailarinas fazem ainda os vocais de algumas canções. Haja fôlego. Comentar sobre a bailarina seria um absurdo, mas é impossível não observar como, a cada ano que passa, ela fica melhor. Tão aguardado por mim e por meu filho, já acostumado a ver apresentações de dança do ventre, esse foi o momento em que Shakira fez o Mebarak de seu sangue falar mais alto. Trouxe uma versão de “Ojos Así” diferente, levando a dança do ventre já conhecida para uma vertente tribal, com movimentos mais ritmados e hipnotizantes.

Porém, algo que poderia ter sido pensado para um show longo e com formato diferenciado foi a troca de roupa da estrela. Os figurinos são lindíssimos, isso é indiscutível. Porém, foram dez figurinos. Tirando o momento em que os telões a exibiam cantando durante  a produção, acontecia um blackout, e ficava sempre a sensação de que o show acabaria ali.

A artista mostrou a importância de sua voz como pessoa pública ao discursar sobre a situação da mulher brasileira, sobre os números de mães que criam seus filhos sozinhas, e se aproximou de muitas de nós ao afirmar que não tem passado por momentos fáceis nos últimos tempos. Demonstrou carinho e respeito por nossa cultura e nossa música quando levou ao palco Anitta, com quem acaba de lançar o feat “Choka Choka”; Caetano Veloso, por quem revelou profunda admiração; a esfuziante Ivete Sangalo, em uma apresentação para ninguém botar defeito; e Maria Bethânia, que tem um timbre vocal tão forte e intenso quanto o da colombiana. Um único descompasso, e foi mesmo, foi o das cantoras com a escola de samba Unidos da Tijuca. Elas cantavam “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, em um ritmo, enquanto a escola estava aceleradíssima.

No fim, Shakira levou ao palco, como apostei no programa Clip ILC na Tela, os bailarinos do Complexo da Maré para, com ela, dançar “Waka Waka”, música da Copa de 2010. Para mim, a música foi maior que a atuação da nossa seleção naquele ano. Foi emocionante ver uma artista que abraça seus fãs, leva-os para o centro do palco e diz ao mundo que é feliz com esse povo. A loba promoveu um uivo coletivo com a canção “She Wolf”, despedindo-se do público enquanto portava a bandeira do Brasil. Ao contrário do que extremistas religiosos espalharam pelas redes sociais, não houve ali nenhum ritual, abertura de portais ou orgia. Pelos registros das câmeras, era possível ver nos rostos a satisfação de, ao menos por duas horas e meia, estar em um espetáculo belíssimo e grandioso que, se não fosse aberto ao público, talvez muitos dos presentes não teriam condições de pagar pelos ingressos.

Antes que discursos inflamados reclamem sobre o valor investido no “Todo Mundo no Rio”, é importante apresentar dados de como eventos como este impactam de forma positiva a economia criativa. Segundo dados da Embratur, a previsão era de que os 15 milhões investidos no evento movimentariam cerca de 800 milhões na economia carioca, impactando o cenário turístico. Antes do show, foram registradas 8.477 passagens aéreas internacionais de países como Argentina, Estados Unidos, Chile, Colômbia e Uruguai com destino ao Rio de Janeiro. (em vermelho pra evidenciar)

Para finalizar este texto, fico com a frase que comprova que as crianças são sinceras. Meu filho, maravilhado com tudo o que viu pela TV, me disse: “Mamãe, como vou dormir depois de um show desse?”




Tatiana Valente é formada em Letras e Jornalismo, especialista em Estratégia da Comunicação e Psicopedagogia.  Apaixonada por música e livros é responsável pelo site Falando em Sol, e de vez em quando canta e dança só pra ser feliz.


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