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Três anos sem Rita. Agora sem Carlini



 Tutti Frutti- A primeira formação da banda que acompanhou Rita Hoje se despede do guitar hero Luiz Sérgio Carlini, responsável pelo icônico solo de Ovelha Negra  (Foto do Livro Rita Lee uma autobiografia)
Abaixo esta fã com a camiseta da Padroeira da Liberdade, como sempre segurando seu disco, e entoando suas canções




“O texto abaixo já estava pronto há dois dias. Coincidentemente, na minha insônia desta madrugada, à zero hora deste dia oito, vi um vídeo de Rita filosofando sobre a morte como cumprir um ciclo (se você me segue no Instagram, verá que repostei). Consolada por ela, adormeci. Qual não foi minha surpresa ao despertar às seis da manhã e conferir a passagem de nosso Keith Richards brasileiro, que cumpriu missão e agora segue lá de cima, inspirando outros músicos, ainda nesta nave.”

Tenho meus quarenta e quatro anos, mas ainda uso camisetas de bandas. Acho prático, gosto e me recuso a me vestir “padrãozinha”. Não sou eu, punto e basta. No dia a dia desfilo com Lulu, Rolling Stones, Beatles, a tchurma do Clube da Esquina e com ela, a minha Padroeira da Liberdade, Rita Love Lee. Sim, tenho três diferentes, embora esta da foto acima seja a mais usada; um dia sairá andando sozinha (risos). Chico Rei, me patrocina?

Ao levar meu filho mais velho ao dentista, fui elogiada duas vezes pelas recepcionistas: “Nossa, você tem filho moço assim?” e “E essa camiseta linda? Amei”. Lógico que eu estava usando a t-shirt psicodélica com Rita linda e ruiva. Cá comigo pensei: a danada me inspirou e inspira as novas gerações. As meninas da recepção devem ter a metade, ou menos, da minha idade.

Por falar nisso, ando meio desligada, com a névoa mental da tal da passagem - me senti minha tia-avó falando - com insônias que se repetem dia após dia. Acordo e, muitas vezes, tenho um texto pronto na cabeça. Corro para registrar, afinal, como dizia Michael, a inspiração veio pra mim e tenho de usá-la antes que Prince a pegue. No meu caso, antes que algum cronista musical a pegue (Nelson Motta, eu vi primeiro, risos).

Engraçado que toda vez que perco o sono e abro o tal do Instagram vejo que, programada, obra dos algoritmos ou do destino, aparece um vídeo de Rita. Ali ela solta suas frases engraçadas, que me fazem refletir, rir e pensar como foi amada por Roberto. Ele também posta, nos momentos em que estou sem sono, alguma coisa sobre sua grande parceira musical e de vida. Vejo, leio e penso cá com meus botões: toda mulher merecia ter um Roberto de Carvalho em sua vida. Rita mesma cantou essa letra: “Toda mulher quer ser amada”. O músico a amou e a ama em caixa alta. Li e reli inúmeras vezes a entrevista que os dois deram ao jornalista Julio Maria, que ano passado publicou em seu blog a carta deixada por Rita para os seus. Constato o fato de que, como eu, ela se expressava melhor escrevendo do que falando. Amou Roberto com verdade e a ele deixou a mensagem: “Você, Roberto, é o namorado mais fofo que existe. Sempre elegante e discreto. Precisa ser ‘mucho macho’ para aguentar uma mulher escandalosa, ex-presidiária, cinco anos mais velha e nem sempre fácil de lidar.”

Tanto amor virou letras e melodias, registradas em canções como “Mania de Você” (eles tinham acabado de fazer amor e compuseram esse clássico), “Desculpe o Auê” (após uma crise de ciúmes de Rita), “Doce Vampiro”, “Chega Mais” e “Lança Perfume”...

Mas, pra hoje, escolhi uma de um vídeo que me fez companhia numa dessas noites de insônia. Rita, com Roberto ao piano, interpretava “Caso Sério”. A música foi lançada em 1980, no álbum Rita Lee, produzido por Guto Graça Mello, que fez sua passagem no último dia 5 de maio.

Toda mulher devia ter, na vida, o direito de ser amada como Rita foi.

Para a Padroeira, com todo amor, da Brina.



 

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