“O texto abaixo já estava pronto há dois dias. Coincidentemente, na minha insônia desta madrugada, à zero hora deste dia oito, vi um vídeo de Rita filosofando sobre a morte como cumprir um ciclo (se você me segue no Instagram, verá que repostei). Consolada por ela, adormeci. Qual não foi minha surpresa ao despertar às seis da manhã e conferir a passagem de nosso Keith Richards brasileiro, que cumpriu missão e agora segue lá de cima, inspirando outros músicos, ainda nesta nave.”
Tenho meus quarenta e quatro anos, mas ainda uso camisetas de bandas. Acho prático, gosto e me recuso a me vestir “padrãozinha”. Não sou eu, punto e basta. No dia a dia desfilo com Lulu, Rolling Stones, Beatles, a tchurma do Clube da Esquina e com ela, a minha Padroeira da Liberdade, Rita Love Lee. Sim, tenho três diferentes, embora esta da foto acima seja a mais usada; um dia sairá andando sozinha (risos). Chico Rei, me patrocina?
Ao levar meu filho mais velho ao dentista, fui elogiada duas vezes pelas recepcionistas: “Nossa, você tem filho moço assim?” e “E essa camiseta linda? Amei”. Lógico que eu estava usando a t-shirt psicodélica com Rita linda e ruiva. Cá comigo pensei: a danada me inspirou e inspira as novas gerações. As meninas da recepção devem ter a metade, ou menos, da minha idade.
Por falar nisso, ando meio desligada, com a névoa mental da tal da passagem - me senti minha tia-avó falando - com insônias que se repetem dia após dia. Acordo e, muitas vezes, tenho um texto pronto na cabeça. Corro para registrar, afinal, como dizia Michael, a inspiração veio pra mim e tenho de usá-la antes que Prince a pegue. No meu caso, antes que algum cronista musical a pegue (Nelson Motta, eu vi primeiro, risos).
Engraçado que toda vez que perco o sono e abro o tal do Instagram vejo que, programada, obra dos algoritmos ou do destino, aparece um vídeo de Rita. Ali ela solta suas frases engraçadas, que me fazem refletir, rir e pensar como foi amada por Roberto. Ele também posta, nos momentos em que estou sem sono, alguma coisa sobre sua grande parceira musical e de vida. Vejo, leio e penso cá com meus botões: toda mulher merecia ter um Roberto de Carvalho em sua vida. Rita mesma cantou essa letra: “Toda mulher quer ser amada”. O músico a amou e a ama em caixa alta. Li e reli inúmeras vezes a entrevista que os dois deram ao jornalista Julio Maria, que ano passado publicou em seu blog a carta deixada por Rita para os seus. Constato o fato de que, como eu, ela se expressava melhor escrevendo do que falando. Amou Roberto com verdade e a ele deixou a mensagem: “Você, Roberto, é o namorado mais fofo que existe. Sempre elegante e discreto. Precisa ser ‘mucho macho’ para aguentar uma mulher escandalosa, ex-presidiária, cinco anos mais velha e nem sempre fácil de lidar.”
Tanto amor virou letras e melodias, registradas em canções como “Mania de Você” (eles tinham acabado de fazer amor e compuseram esse clássico), “Desculpe o Auê” (após uma crise de ciúmes de Rita), “Doce Vampiro”, “Chega Mais” e “Lança Perfume”...
Mas, pra hoje, escolhi uma de um vídeo que me fez companhia numa dessas noites de insônia. Rita, com Roberto ao piano, interpretava “Caso Sério”. A música foi lançada em 1980, no álbum Rita Lee, produzido por Guto Graça Mello, que fez sua passagem no último dia 5 de maio.
Toda mulher devia ter, na vida, o direito de ser amada como Rita foi.
Para a Padroeira, com todo amor, da Brina.


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