A banda mogiana Drama em Crise apresenta ao público o EP "Perversidade Polimórfica", novo trabalho que aprofunda a identidade artística do grupo ao reunir existencialismo, experimentação sonora e forte carga teatral. O lançamento chega em um momento especial para a banda, que ainda celebra a repercussão do videoclipe de "Gaivota", elogiado pelo jornalista Ricardo Schott, que comparou a canção a obras de Zé Ramalho e Mutantes, enquanto associou a estética do vídeo aos primeiros trabalhos do Pink Floyd. Em um texto manifesto publicado nas redes sociais, os integrantes explicam o significado do título escolhido para o EP:
"Esse nome reflete, de diversas maneiras, as canções desse lançamento e seu próprio processo de gravação. As músicas deste trabalho são um bocado diferentes entre si, mas se conectam por um destino em comum: o de teimar em existir apesar e a partir de um mundo em espiral, de uma existência improvável e contraditória – crise! crise! crise!".
A banda destaca ainda que cada faixa traduz, à sua maneira, as contradições do mundo contemporâneo e as subjetividades que delas emergem. Gravado na garagem onde o grupo ensaia há mais de três anos, o EP incorpora sons do cotidiano, ruídos e imperfeições como parte essencial de sua estética.
"Tudo aponta para uma matéria que é viva apesar da morte que a rodeia. Tudo foi sentido na pele e arde,como a febre do juízo final", afirmam.
O projeto surgiu a partir da aproximação com o músico e produtor Sérgio Ugeda, conhecido por sua passagem por bandas como Diagonal, Debate, Hierofante Púrpura, Águas e Gasolines. A parceria foi fortalecida ao longo de 2025, período em que os integrantes do Drama em Crise frequentavam assiduamente a Casa Elefante, tradicional loja de discos e espaço cultural de Mogi das Cruzes.Segundo a banda, o desejo de retornar ao estúdio existia desde o lançamento do primeiro álbum, em 2023. No entanto, dificuldades financeiras e de agenda adiavam os planos. Foi então que Ugeda sugeriu uma alternativa que mudaria os rumos do projeto.
"Vocês têm que gravar onde vocês ensaiam, onde vocês têm uma conexão", teria dito o produtor.
O espaço escolhido foi a garagem da casa de Pompéia, onde mora o vocalista e guitarrista Gabe Fortunato e que se tornou o quartel-general criativo da banda. Meses depois, Ugeda propôs ajudar a transformar o local em um estúdio improvisado — batizado por ele de "Vaga em Crise" — em troca da utilização do espaço para ensaios do Gasolines antes de uma turnê europeia.
O produtor levou equipamentos, microfones e interfaces de gravação, colaborando também no tratamento acústico do ambiente. A partir daí, o grupo passou a experimentar gravações ao vivo, revisar arranjos e preparar o material que daria origem ao EP. A seleção das faixas aconteceu de forma espontânea. Em vez de seguir um planejamento rígido, a banda decidiu registrar aquilo que estava mais vivo durante os ensaios.
Entre as canções inéditas está "Ascensão Seguros", criada poucas semanas antes das gravações após um alarme de carro disparar durante um ensaio. O som inesperado serviu de ponto de partida para um improviso que acabou se transformando em música.Já "Suicídio Litoral" é a composição mais antiga do repertório e permaneceu no projeto por dialogar com a atmosfera da gravação, trazendo influências que remetem ao pós-punk do Gang of Four.
A gravação contou inicialmente com bateria, baixo e guitarra executados ao vivo. Em seguida foram adicionadas as vozes e a flauta em overdub. Os pianos e teclados presentes em "Tema da Fase Oral" e "Jogo de Dados" foram registrados posteriormente no apartamento da musicista Juliana Rodrigues, parceira da banda.
Após a etapa de gravação e edição, Ugeda entregou os arquivos ao grupo antes de seguir para sua turnê. O material foi então encaminhado ao Estúdio Mestre Felino, em Mogi das Cruzes, onde a mixagem e a masterização ficaram sob responsabilidade de Danilo Selvagi e Helena Duarte, colaboradores de longa data do Drama em Crise.
A identidade visual do EP também nasceu de uma parceria artística. A capa foi desenvolvida por Murilo e Gio, do coletivo Gato no Ar, e traz como protagonista o boneco humanoide gigante que já havia aparecido no videoclipe de "Vertigem".
Conhecido por diferentes nomes, entre eles Azazel, Carlos Adão e Humpata Dum, o personagem foi coberto de tinta e pressionado contra um papel de algodão de três metros de comprimento, criando uma gravura que inicialmente seria utilizada como bandeira para apresentações ao vivo, mas que acabou se transformando na arte oficial do disco.Para a banda, "Perversidade Polimórfica" representa uma nova etapa de experimentação e descoberta.
"É um novo experimento, diferente de outras coisas que fizemos no passado. É um projeto que se desenvolveu por vias que antes desconhecíamos, fruto de muita teimosia e insistência. É um pedaço de nossa loucura que talvez, quem sabe, possa sensibilizar a sua."

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