Sonho sempre vem pra quem sonhar- nossa amada colaboradora, minha Paquita Renatuxa "marcou um presença com um X, em "O Último Voo da Nave, neste último sábado no Nubank Parque, promovendo um encontro com sua menina de 6 anos, mostrando que tudo pode ser, só basta acreditar...
Fotos e Vídeo : Renata Souza
"Querida Renata, de seis anos,
Tenho uma coisa para te contar aqui do futuro. Hoje, dia 25 de julho de 2026, depois de quarenta anos, um dos nossos maiores sonhos se realizou: nós fomos ao show da Xuxa.
E não foi preciso planejar fugir de casa, nem pedir para a mamãe nos levar à TV Globo, no Rio de Janeiro. Nós estivemos lá. E você não vai acreditar: fomos com o nosso próprio dinheiro. Sim, somos independentes e realizamos vários sonhos.
O show foi em São Paulo, em um estádio de futebol enorme. E nós conseguimos: eu fui de Paquita! Sim, nós conseguimos.
Hoje, o mundo mudou bastante. Nós, pessoas com deficiência (PCD), conquistamos muitos espaços e realizamos muitas coisas. Aqui no futuro, houve até uma Paquita negra. Fomos com chapéu de Paquita e pompons. Quando chegamos, havia milhares de Paquitas e Paquitos, várias Xuxas e uma energia que espantava qualquer baixo-astral.
Mas o mais incrível ainda estava por acontecer.
A nave estava lá: linda, enorme e brilhante. E, de repente, ela passou por cima das nossas cabeças. Xuxa surgiu da nave, deslumbrante, enquanto ao fundo tocava a versão instrumental de "Doce Mel". Nesse momento, nós choramos muito.
Na verdade, quem estava ali era você, Renatinha. Você gritava, pulava e dançava com aquela sandália da Xuxa que a tia Dulce nos deu e que, na verdade, você nem podia usar.
Xuxa cantou, dançou e, como uma verdadeira rainha, nos lembrou que nós, seus súditos, não deveríamos ter vergonha de sorrir, chorar, cantar e dançar. Aquele era o nosso momento. E ela, aos 63 anos, estava ali, de xuxinha, cabelão e collant, por nós, seus baixinhos. Seus eternos baixinhos.
Como sempre, trouxe um diálogo aberto sobre os animais, a natureza e o nosso papel na preservação do planeta. Também não esqueceu de cantar Abecedário da Xuxa, uma homenagem que me fez perceber que, hoje, as minorias são vistas, ouvidas e lembradas.
Sabe quando você faltava à escola no dia do seu aniversário só para assistir ao Xou da Xuxa inteiro e esperava ansiosa pelo momento em que ela cantava "Parabéns"?
Pois aconteceu.
E foi ainda mais lindo do que você sonhava.
Sabe por quê?
Porque não era apenas ela cantando para você. Todos cantaram. Cinquenta e cinco mil pessoas cantando "Parabéns", em um cenário deslumbrante, cheio de cores, enquanto a nave majestosa brilhava sobre nossas cabeças.
Ela também relembrou vários momentos marcantes de sua carreira, com sucessos como Soco, Bate, Vira e Xuxa Hits, que fizeram parte da nossa juventude e da vida adulta, sem perder a magia.
Aliás, isso continua presente na nossa vida. Hoje você é professora de Educação Infantil, e as músicas da Xuxa sempre fazem parte das suas aulas. Estamos sempre cantando e dançando com as crianças. Eu nunca deixo adormecer o coração da baixinha e da Paquita que vivem em nós. Temos até um microfone.
Mas sabe o que eu mais queria que você soubesse?
Hoje, adulta, você faz coisas que jamais imaginou realizar. Até agora, nós realizamos todos os nossos sonhos.
Nós conseguimos.
Apesar de todas as dificuldades, dos preconceitos e das limitações que a vida e o mundo impõem, continuamos acreditando naquilo que a Xuxa sempre cantou:
"Tudo pode ser, só basta acreditar. Tudo que tiver que ser será. O sonho está dentro de você e nunca é tarde para sonhar."
Ou, como também aprendemos com ela:
"Tudo pode ser, se quiser será. O sonho sempre vem pra quem sonhar."
E sabe de uma coisa?
É verdade.
Foi verdade.
A Xuxa cumpriu o que prometeu. E o "Cara lá de cima" sempre esteve conosco.
Obrigada, Renatinha, por nunca deixar de acreditar.
Obrigada, @xuxameneghel, por nos ensinar que vale a pena sonhar.
Esta carta, esta resenha, este testemunho é, acima de tudo, um agradecimento à vida. Uma vida que não é fácil, que é cheia de lutas e dificuldades, mas que, ainda assim, é bonita.
É bonita.
É bonita.
E é bonita, como disse Gonzaguinha."
Renata de Barros Souza tem 45 anos, é Professora de Educação Infanti, alimentada pela música desde pequena. Foi integrante do Coral da Universidade de Mogi das Cruzes, ama cantar. É PCD e traz aqui para vocês aqui resenhas de como a acessibilidade é tratada em casas de cultura.
* Foi com ela que aprendi que cantar é necessidade da alma. Ela também, depois deste texto de hoje, fez a editora aqui chorar muito e lembrar, que como nossa rainha sempre cantou que sim, os sonhos sempre vêm para quem sonhar.Salve Massadas, Salve Sullivan!
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