Quarenta anos depois de ajudar a escrever um dos capítulos mais importantes da new wave brasileira, Alec Haiat abre um novo momento de sua trajetória artística. Guitarrista, compositor, produtor musical e um dos fundadores do Metrô, o músico anuncia MetrôVox, projeto autoral que reúne músicas compostas ao longo das últimas décadas e que ele próprio define como “o trabalho mais concentrado de sua carreira”.
O lançamento oficial acontece no sábado, 29 de agosto, durante a terceira edição do Araruna Fest, em Campo Grande (MS), quando o público conhecerá pela primeira vez o espetáculo concebido especialmente para o projeto. Antes da estreia, Alec começa a apresentar as primeiras faixas nas plataformas digitais, além de divulgá-las em suas redes sociais e nos canais oficiais do festival.
“O MetrôVox é o trabalho mais concentrado da minha carreira. Tudo o que fiz antes me trouxe até aqui.”
A ideia nasceu da vontade de reunir, sob uma única identidade artística, músicas que permaneceram espalhadas por diferentes momentos de sua trajetória. Desde os tempos do Gota Suspensa, passando pelo Metrô e por projetos como Planadores, Suspechos e Paris Texas, Alec nunca deixou de compor. Agora, esse repertório ganha forma em um álbum que olha para o futuro sem abrir mão da experiência acumulada em mais de quatro décadas de música.
A ligação com o Metrô permanece como parte fundamental da história do artista, mas não define este novo momento. MetrôVox não é uma reunião da banda nem um exercício de nostalgia. É um projeto voltado para a música inédita e para uma nova etapa artística.
“Tenho muito orgulho da minha história, mas não quero viver dela. O MetrôVox nasceu para apresentar música nova.”
O álbum reúne dez faixas inéditas e transita por elementos de synth pop, new wave, space rock e rock contemporâneo. As composições foram pensadas para o palco, com refrões marcantes e arranjos que dialogam com referências como David Bowie, Roxy Music, Talking Heads e Pink Floyd, sem perder a identidade construída por Alec ao longo de sua carreira.
Entre os destaques está uma releitura autorizada de “O Portão”, clássico de Roberto Carlos que ganha uma nova interpretação a partir de elementos do space rock e da atmosfera sonora do Pink Floyd.O repertório também conta com parcerias com Sérgio Britto, dos Titãs, e Kiko Zambianchi, além de composições assinadas exclusivamente por Alec Haiat.Gravado de forma essencialmente orgânica, o álbum privilegia a interpretação dos músicos e a execução real dos instrumentos. A tecnologia aparece como ferramenta de produção, mas sem substituir aquilo que Alec considera fundamental na criação musical: personalidade, dinâmica e emoção.Mais do que acompanhar o lançamento do disco, o espetáculo integra a própria concepção do MetrôVox. Para Alec, álbum e show nasceram como partes de uma mesma experiência.
“O show não veio depois do álbum. O disco nasceu pensando no palco. A experiência ao vivo completa a obra.”
Na estreia, Alec Haiat assume voz, guitarra e direção artística, acompanhado por Árya (voz), ZAIA (baixo e voz), Daniel Aigner (teclados) e Samuel Galdino (bateria e voz). A formação foi reunida especialmente para o lançamento e reproduz ao vivo a proposta sonora do álbum. Os músicos executam integralmente seus instrumentos no palco, enquanto bases eletrônicas são utilizadas apenas como recursos complementares, acrescentando efeitos, texturas e percussões.
A escolha do Araruna Fest para apresentar oficialmente o MetrôVox também carrega um significado especial. Na edição anterior do festival, Alec participou como convidado e apresentou pela primeira vez a música inédita “Meus Segredos”. A receptividade do público contribuiu para consolidar a decisão de transformar Campo Grande no ponto de partida dessa nova fase. A noite também reunirá diferentes gerações e momentos da história do rock brasileiro. Depois da estreia do MetrôVox, os Titãs apresentam o espetáculo que celebra os 40 anos de Cabeça Dinossauro. Entre os integrantes da banda estará Sérgio Britto, parceiro de Alec em uma das faixas do novo álbum. Aos 63 anos, o músico afirma viver o que considera seu “prime time” — um momento em que experiência e liberdade criativa se encontram.
“Hoje tenho maturidade para reunir tudo o que vivi como músico em um projeto que representa exatamente quem eu sou.”
O MetrôVox chega, assim, como uma síntese de passado, presente e futuro: um trabalho que reconhece a trajetória de Alec Haiat, mas escolhe olhar para frente, colocando a música inédita e a experiência de palco no centro dessa nova etapa.
SERVIÇO
MetrôVox no Araruna Fest – 3ª edição
.jpg)
Comentários
Postar um comentário