O vermelho é atrelado à paixão, ao pecado original. O estigma é tão forte que Guimarães Rosa, em seu único livro de poesias, Magma, lançado em 1936, deu a um de seus poemas, que traz na imagem das plumas de uma pomba e na cor viva de uma flor a representação do desejo, o nome de “Vermelho”. Nos versos, a cor aparece como símbolo da paixão e do amor carnal, libidinoso. Essa face do vermelho também foi a inspiração do rapper e produtor CHEVA para o EP A Cor do Pecado, lançado em julho. Com cinco faixas inéditas, compostas e produzidas pelo próprio artista, CHEVA reúne referências do R&B americano e londrino e as mistura à sensualidade, às rimas e ao molejo brasileiro. Resultado : um trabalho que transita por diferentes sonoridades, mas mantém como fio condutor a temática do desejo.
“As cinco faixas são de sonoridades distintas, sendo a primeira uma faixa mais lenta e swingada e a última um rock misturado com trap, mas todas se conversam e contam uma história. O rock fez parte da minha vida de alguma forma, na adolescência, andando de skate e indo para shows. As inspirações para esse EP foram alguns artistas como Kwn (UK), Tory Lanez (EUA) e Brent Faiyaz (EUA). São artistas que eu sempre me pegava escutando e me perguntei: ‘Por que não fazer um som parecido?’. Acho que foi mais para me desafiar do que qualquer outra coisa”, conta.
O título A Cor do Pecado e a escolha do vermelho como elemento visual do EP remetem à associação histórica da cor com aquilo que é considerado proibido, transgressor ou relacionado aos chamados “pecados”. A partir dessa simbologia, CHEVA transforma a sensualidade e a sexualidade em matéria-prima artística, tratando o desejo não como tabu, mas como parte natural da experiência humana.
Ao longo das cinco faixas, o artista explora diferentes atmosferas e linguagens musicais para construir uma narrativa sobre atração, prazer e liberdade. A diversidade sonora acompanha essa proposta: o R&B aparece como uma das principais referências, enquanto o trap e o rock ampliam as possibilidades do trabalho e revelam um artista disposto a experimentar.
Mais do que associar o vermelho ao pecado, CHEVA ressignifica a cor a partir da música. Em A Cor do Pecado, paixão, sensualidade e desejo deixam de ser temas a serem escondidos e passam a ocupar o centro da criação, em um EP que aposta na mistura de gêneros e na liberdade para falar sobre aquilo que, apesar de tantas vezes considerado proibido, também faz parte da vida.

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